— Não, a Clara esteve investigando a Estrela todos esses anos?
Roberta finalmente recobrou os sentidos.
A gigantesca quantidade de informações que acabara de ver deixou-a extremamente perturbada. Ela não sabia qual detalhe a deixava mais chocada.
Naquele documento, havia coisas das quais ela não tinha a menor ideia e que nunca imaginara que pudessem existir.
Além de todas as provas de que Clara armara o acidente de carro para prejudicar a gravidez de Estrela, havia outra prova completamente inimaginável.
Era um registro de conversas entre Clara e Sebastião Lima.
Clara: [Ouvi dizer que a Estrela engravidou?]
Sebastião: [É verdade, sim. Ela foi ao hospital para exames há alguns dias, e o médico que a atendeu me disse que ela já está de três meses.]
Clara: [Do Henrique?]
Sebastião: [Uhum.]
Logo após Estrela fazer os exames da gravidez, Sebastião também chegou a duvidar de que o bebê fosse de Henrique e mandou fazer um teste de paternidade discretamente. O resultado confirmou que a criança era, de fato, do Henrique.
[Mas não me entenda mal, Clara, o Henrique só tem olhos para você.]
[Provavelmente ela usou algum tipo de truque para tentar prender o Henrique usando essa criança. Pode ficar tranquila, o Henrique não vai cair nessa.]
Mesmo por trás da tela, a atitude de Sebastião transparecia descaso.
Era evidente que ele não levava aquele assunto muito a sério.
Cinco minutos depois, Clara respondeu: [Volto para o país daqui a dois dias.]
Sebastião: [Bem-vinda! E dessa vez pretende ficar quantos dias?]
Clara: [Para morar.]
[Sério?]
E a seguir, a conversa dos dois prosseguia sobre o retorno dela para o país.
Embora ela não tivesse dito nada com todas as letras, era possível notar no registro de mensagens que Clara já sabia da gravidez de Estrela havia muito tempo.
Até mesmo a volta dela ao país tinha sido motivada pela descoberta da gravidez de Estrela.
Então, desde o começo, quem ela queria prejudicar não era Estrela, mas sim a criança inocente.

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