Neste momento, no quarto, Roberta estava visivelmente chateada.
Ela não entendia por que Clara havia concordado com aquilo.
Ela e a sua mãe estavam ali tentando ajudar. Se Clara simplesmente tivesse se mantido firme e se recusado, Henrique não a forçaria a pedir desculpas.
Além do mais, mesmo que Clara tivesse armado o acidente que causou o aborto de Estrela, ela não tinha como saber o que a Estrela estava suspeitando antes daquilo acontecer. Na pior das hipóteses, foi apenas um acidente. Não justificava causar todo aquele estardalhaço.
E tem mais: no passado, foi a Estrela quem roubou Henrique e fez Clara terminar com ele. A Clara não teve uma vida fácil todos esses anos, então era normal que ela quisesse descontar a sua raiva.
Se fosse com ela.
Se ela estivesse super apaixonada por Isaque Gomes e alguém armasse para separá-los, ela com certeza ficaria com muita raiva e daria o troco na mesma moeda.
Ao pensar em Isaque, Roberta soltou um suspiro profundo.
Ela pegou o celular e, ao ver as poucas mensagens no histórico do chat, sentiu uma irritação profunda.
As últimas mensagens foram enviadas por ela para Isaque.
E ele não tinha respondido nenhuma.
Isaque já a tratava de forma fria e indiferente, mas, depois que ela ligou para ele defendendo Clara da injustiça, ele simplesmente parou de responder às suas mensagens.
Que raiva.
Até Isaque estava do lado de Estrela. Parecia que o mundo estava com os valores invertidos.
Engolindo a seco a frustração, Roberta pensou por um momento e foi até o escritório de Henrique.
Ela planejava tentar aconselhar aquele seu irmão idiota. Ela sabia que ele ainda tinha uma certa obsessão por Estrela, mas uma coisa não anulava a outra. Ele não podia abusar do amor de Clara daquele jeito, apenas para humilhá-la.
Depois ele iria se arrepender.
Henrique tinha ido levar Clara até a saída e ainda não havia voltado. Roberta começou a folhear distraidamente os documentos sobre a mesa.
Ao ver o conteúdo de um deles, ficou totalmente paralisada por um momento.
No pátio.
As luzes brilhavam, iluminando o espaço como se fosse dia.
O motorista da família Freitas estava com o carro estacionado perto do portão, esperando para levar Clara para casa.
A expressão de Henrique era fria e severa.
Ele não havia dito uma única palavra desde que saíram de dentro, e enquanto a acompanhava, andava num ritmo acelerado.

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