Ela achou aquilo um tanto cômico.
Bem quando tinha decidido que tentaria viver bem, o destino resolveu não lhe dar essa chance.
Ela não se sentia triste nem com medo.
Pelo contrário, ao ver a expressão no rosto de Yan, sentiu uma indescritível sensação de prazer, como se a sua vingança tivesse dado certo.
— Assistir as coisas com as quais você se importa desaparecerem aos poucos... A sensação deve ser ótima, não é? — Talita riu.
No início, era apenas um sorriso irônico.
Mas logo depois, sem saber explicar o motivo, ela sentiu uma vontade incontrolável de dar gargalhadas.
— Pare de rir! — Yan estava à beira de um colapso.
Talita, em vez de parar, riu ainda mais alto.
Ela riu até que as lágrimas escorressem dos seus olhos.
Yan caminhou rapidamente até a beirada da cama e sentou-se, agarrando os ombros dela com ambas as mãos. Os seus olhos vermelhos estavam cheios de ódio e fúria.
— Eu mandei você parar de rir!
— Pá! —
Assim que ele terminou de falar, Talita levantou a mão e desferiu um tapa forte no rosto de Yan.
— Que direito você tem de ficar triste? — Talita o encarou com calma: — Tudo isso não é obra sua?
Yan não respondeu. Apenas continuou olhando para ela.
Talita deu um pequeno sorriso:
— O que foi? Vai me humilhar como costumava fazer? Ou vai usar a vida de outras pessoas para me ameaçar de novo?
O tom de Talita era sereno, como se falasse da coisa mais banal do mundo.
Havia até um leve sorriso nos seus olhos.
Mas quanto mais calma ela estava, mais o pânico crescia no peito de Yan.
Desde que ele tomou o controle da família Serra, ninguém nunca mais ousou desafiá-lo. Ninguém ousava impedi-lo de conseguir o que queria ou de fazer o que bem entendesse.
E mesmo que alguém tentasse, era inútil. Ele alcançaria o seu objetivo de qualquer maneira.
Mas com Talita, ele sentia que tinha perdido totalmente o controle.
Uma sensação de impotência o envolveu.
Antes, ele amava vê-la sorrir, implorava para que ela sorrisse para ele. Mas agora, o sorriso dela era cortante.

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