Sua voz soou tensa, carregada de ansiedade. Ele a abraçou por um tempo antes de soltá-la, examinando com cuidado o rostinho pálido da filha. A doença parecia tê-la deixado ainda mais miúda.
Tereza não imaginava que Norberto retornaria tão cedo. Ela observou em silêncio o abraço apertado entre pai e filha, e depois disse:
— Vou procurar o médico para conversarmos.
Dito isso, virou-se para sair.
— Por que não me contou? — A voz de Norberto ecoou nas costas dela, carregada de uma raiva reprimida.
Tereza virou-se e o encarou:
— Você não estava no exterior, cuidando de assuntos importantes de trabalho? Se eu contasse, você apenas ficaria preocupado e não poderia fazer nada.
Ouvindo aquilo, a raiva de Norberto apenas aumentou:
— Tereza, não importa o que esteja pensando ou o motivo da sua raiva agora. Mas não se esqueça: eu sou o pai dela. Tenho o direito de saber tudo o que acontece com a minha filha.
Tereza ficou tensa e, por um instante, não encontrou palavras para rebatê-lo.
Um véu de inquietação cobriu o rostinho de Delfina. Sua mãozinha esticou-se rapidamente e tapou a boca de Norberto:
— Papai, por favor, não brigue com a mamãe, está bem? Não culpe ela.
Norberto ia retrucar, mas, vendo a atitude tão compreensiva da filha, manteve-se em silêncio.
— Tudo bem, nada de brigas. — Norberto tirou gentilmente a mãozinha da filha de seu rosto e a beijou.
Com as pernas rígidas, Tereza caminhou em passos largos para fora do quarto. Pelo visto, a filha devia ter usado o relógio inteligente para enviar uma mensagem ao pai, e foi por isso que Norberto voltou com tanta pressa.
No entanto, por que ele estava tão irritado ao voltar? Acaso a viagem a negócios não tinha sido tão divertida quanto o esperado?
A luz da manhã infiltrava-se pelas cortinas translúcidas do hotel. Hera estava deitada de bruços na cama branca. Apenas dez horas antes, Norberto ainda estava ao seu lado, discutindo negócios e degustando vinho.
E agora, ele já estava de volta ao país.
Ela se levantou e caminhou em direção ao banheiro, exalando uma preguiça letárgica. Puxou a alça da camisola, deixando o tecido deslizar perfeitamente até o chão.
A bela e delicada silhueta de uma mulher revelou-se por completo.
Quando Norberto recebeu a mensagem de Delfina, fora Hera quem o apressara a voltar imediatamente, assumindo o restante da carga de trabalho no exterior.
Usando a tática de recuar para poder avançar, ela queria consolidar no coração dele a imagem da mulher gentil e bondosa que ele sempre acreditou que ela fosse.
Ela não se importava em devolver Norberto temporariamente para o lado de Tereza e da filha, porque havia uma coisa da qual ela tinha absoluta certeza: o coração dele nunca a havia abandonado de verdade.
A doença de Delfina viera em um momento providencial, quase como se alguém tivesse orquestrado aquilo de propósito para reconquistar o marido.
Mas Hera sabia muito bem que, uma vez na mesa de pôquer, as cartas deviam ser jogadas com calma. Desde que ela mantivesse seus trunfos na manga, a vitória era certa.
Hera saiu do banho e, na mesma hora, viu uma chamada de Jessica.
Hera estendeu a mão para atender:
— Mãe!
A voz de Jessica ecoou pelo outro lado da linha:

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