Hera pareceu petrificada, como se aquele fosse um assunto do qual desejasse fugir.
A assistente e a equipe de relações públicas, que acompanhavam a cena, ficaram com os nervos à flor da pele instantaneamente.
— Relacionamento... O que tive e perdi será sempre a lembrança mais valiosa da minha vida. Quanto a quem poderei encontrar no futuro, acredito que devo deixar acontecer naturalmente. — sussurrou Hera, um pouco atordoada, antes de forçar um sorriso e disfarçar.
— O destino age de maneiras misteriosas. — comentou o jornalista.
— Se... E eu digo 'se', eu vier a conhecer alguém que me compreenda e respeite o meu passado e presente, acho que não recusaria um recomeço. — Hera fitou a câmera, demonstrando uma coragem obstinada.
O jornalista concordou, expressando respeito e admiração por sua postura.
— Diretora Lopes, devemos pedir para editarem e removerem a última parte? — perguntou a gerente de relações públicas entregando-lhe água assim que terminaram.
— Não há necessidade. — respondeu Hera, pegando a água e olhando pausadamente pela janela.
A entrevista de Hera já não era segredo dentro da empresa. Várias pessoas acompanharam ativamente a transmissão.
Ao voltar ao escritório no fim do expediente, Tereza notou que, na caixa de e-mails corporativos, diversos colegas repassavam o link para a gravação da entrevista de Hera.
Tereza pegou o tablet e clicou no vídeo da entrevista.
Com sua juventude e beleza, além da ascensão meteórica na carreira, Hera era, sem dúvidas, a pérola reluzente entre as mulheres empresárias. As visualizações da entrevista não paravam de subir, assumindo rapidamente a primeira colocação.
Tereza observava o rosto de Hera perante a câmera; a fisionomia dócil combinada à resiliência e o domínio excepcional em suas expressões a tornavam encantadora.
Ao acompanhar a entrevista, constatou o alto nível de profissionalismo nas respostas; cada palavra fora meticulosamente forjada. O luto pelo marido falecido fluía como um sentimento puro, enquanto as expectativas pelo futuro indicavam, à primeira vista, apenas conformidade. Mas aquela brecha de esperança, mencionada em seguida, instigava todo tipo de divagação na mente do público.
Como Tereza poderia não captar as insinuações ocultas sob as entrelinhas?
Ela ergueu a xícara, tomando um gole do chá recém-preparado. O líquido quente deslizou por sua garganta, clareando um pouco os pensamentos.
Naquele momento, seu celular sobre a mesa recebeu uma notificação de mensagem.
Era de Henrique, e tinha apenas o número cinco no título.
Tereza olhou para a tela, com o coração sereno como um lago imóvel, e tocou para abrir.
O vídeo exibia como plano de fundo uma luxuosa quadra de tênis ao ar livre. Era uma manhã de verão, com o sol ardendo fortemente.
Uma adolescente com rabo de cavalo alto e vestida com uma saia curta e branca de tênis rebatia a bola, esbanjando agilidade nos movimentos.
Em sua juventude, Hera, de fato, exibia uma aura luminosa e envolvente, que provocava a imediata simpatia de qualquer pessoa.
Após dar uma raquetada em uma bola, Hera ficou imóvel no lugar. Momentos depois, na parte traseira de sua pequena saia branca, manchou-se um pequeno círculo vermelho vivo.
Hera segurou a raquete junto ao corpo, paralisada onde estava, com o rosto ardendo em puro constrangimento.

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