— Isso realmente aconteceu? — O olhar de Jessica tornou-se afiado.
— Sim. Alguém comentou que a entrevista era originalmente para a Dra. Leal, e só foi oferecida à Diretora Lopes porque a Dra. Leal recusou. Agora todo mundo acha que a Diretora Lopes está pegando as sobras dos outros...
A voz de Rafaela foi sumindo, e ela abaixou ainda mais a cabeça.
O rosto de Jessica empalideceu e tornou-se visivelmente lívido de raiva.
Então era isso, Tereza novamente.
Ela se fazia de superior, recusando a entrevista, e assim que virava as costas, permitia que a sua subordinada fizesse ataques tão cruéis contra a reputação de Hera.
Quem aguentaria passar por algo assim sem ficar magoada?
— Entendi. Vá comprar a comida. — Jessica, com uma expressão gélida, dirigiu-se ao elevador.
A indignação em seu peito apenas aumentava.
Tereza queria ser discreta, mas não suportava que outros brilhassem. Aquilo era pura maldade.
Ao chegar ao quarto, o barulho de Jessica empurrando a porta despertou Hera.
Ela abriu os olhos turvos e viu Norberto sentado ao seu lado e Jessica entrando.
— Mãe, Norberto, o que vocês estão fazendo aqui? — Hera fez uma expressão de surpresa.
— Já cheguei há algum tempo. Vi que você estava dormindo, então preferi não atrapalhar. — Norberto, encostado na cadeira, respondeu com suavidade.
Jessica olhou para o rosto pálido e sem cor de Hera, sentindo o coração apertar.
Logo em seguida, virou-se para Norberto e o repreendeu: — E você também, Norberto. O corpo da Hera sempre foi frágil, e a pressão na Apex é imensa. Por que você não providenciou alguém para cuidar melhor dela?
— Foi negligência minha. Mãe, providenciarei mais alguém para ajudá-la da próxima vez. — Norberto massageou o espaço entre as sobrancelhas e disse com a voz grave.
— Como é que você ficou doente assim de repente? Aconteceu alguma coisa? — perguntou Jessica, fingindo não saber de nada.
Norberto não disse nada, apenas apertou os lábios.
Naturalmente, Hera também não disse nada. Apenas deu uma olhada rápida na expressão de Norberto antes de abaixar a cabeça, as lágrimas despontando levemente no canto dos olhos.
Ao ver essa cena, o coração de Jessica derreteu de compaixão.
— Hera, descanse bem, não se preocupe. Se alguém tentar lhe prejudicar, a mamãe dará uma lição nessa pessoa.
Dizendo isso, Jessica voltou-se diretamente para Norberto: — Norberto, você precisa intervir em certas questões.
O rosto belo de Norberto enrijeceu levemente antes de assentir: — Entendi. Mãe, cuide bem da Hera. Preciso resolver algo, então já vou indo.
— Para onde você vai? — perguntou Jessica.
— Vou até a casa da Família Leal. A Delfina está lá, vou buscá-la. — Norberto saiu do quarto logo depois.
Na vila residencial da cidade universitária, o caminho era ladeado por plátanos altos. Os últimos raios de sol projetavam sombras pálidas nas copas das árvores.

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