Ao olhar para aquela figurinha adorável, Norberto não conseguiu evitar que as memórias de cenas do passado, cheias de carinho, inundassem a sua mente.
Quando era mais nova, Delfina sempre exigia que alguém estivesse ao seu lado na hora de dormir. Ela fazia a pessoa enrolar o braço ao redor dela. Se houvesse o menor distanciamento, mesmo de olhos fechados, a menina agarrava o braço com as mãozinhas curtas e o puxava de volta.
— Boa noite, meu amor. — Ao relembrar aquelas memórias afetuosas, Norberto inclinou-se e depositou um beijo suave na testa da filha.
Foi exatamente nesse instante que Tereza entrou. Fingindo não ter escutado o que o marido dissera, ela seguiu direto para o closet para pegar o pijama.
Norberto levantou-se e ficou observando a mulher no closet. Seu pomo de adão subiu e desceu por um segundo. Decidindo não perturbá-la, ele se virou, saiu do quarto do casal e fechou a porta com suavidade.
Tereza tampouco se importou com a partida dele. Foi apenas ao ver o rostinho da filha dormindo na cama que a rigidez em suas feições se desfez gradualmente, sendo substituída por um semblante macio e terno.
No quarto VIP do hospital, o cheiro característico de álcool e antisséptico preenchia o ar.
Hera recostou-se na cama inclinada. Seu rosto já havia recuperado um pouco de cor, mas seus olhos continuavam vermelhos, conferindo a ela uma expressão de teimosia misturada a uma extrema fragilidade.
Jessica retornou após encerrar a chamada, e os resquícios da raiva ainda estavam estampados em seu rosto.
Na posição de sogra, ser rebatida pela nora com argumentos tão bem estruturados trazia um inevitável sentimento de frustração e humilhação.
Em qualquer outra família abastada, uma nora serviria meramente como uma babá de luxo e uma criada. Onde já se viu ter a oportunidade de levantar a voz e discutir com a sogra?
Mas, justamente por ser a Família Cardoso, Tereza escorava-se no próprio talento e nas suas capacidades para ser teimosa e desrespeitar abertamente a sogra.
— A Tereza está ficando cada vez mais indisciplinada! Será que a antiga Tereza, aquela compreensiva, dócil e submissa, morreu? Agora ela age como um espinho, espetando todo mundo por onde passa! — Na presença de Hera, Jessica desabafou e a insultou sem cerimônia. O gosto amargo de ver a sua autoridade provocada era, de fato, terrível.
— Mãe, por favor, não fique com raiva, não vale a pena estragar a saúde por isso. — A voz de Hera era mansa e consoladora, enquanto ela se recostava no braço de Jessica com um ar de dependência: — Me perdoe, a culpa é toda minha. É por minha causa que a senhora está passando por esse desgosto.
Ao encarar Hera, que parecia tão pálida, frágil e com os olhos marejados de lágrimas, o coração de Jessica apertou de dó.
O contraste era enorme. O tom gélido, beirando à crueldade, com que Tereza havia falado no telefone, e a sua postura inflexível que não cedia sequer um centímetro... Humpf, as duas eram tão diferentes quanto a água para o vinho, não havia comparação.
— Hera, isso não é culpa sua. O erro é todo da Tereza. Somos uma família, não haveria necessidade de tanta hostilidade. Ela é mesquinha a ponto de não ter um pingo de tolerância. Eu apenas tentei dar-lhe um conselho e ela partiu para o ataque com aquela língua afiada, me rebatendo frase a frase. Não tem o menor respeito por mim, a própria sogra. — Jessica segurou as mãos levemente frias de Hera, e falou com a voz cheia de compaixão.
— Não é verdade, mãe. Sou eu que não sou competente o suficiente. Fui abalada emocionalmente. Ao ouvir aquelas coisas, não consegui evitar pensar demais... Pelo visto, eu realmente preciso mudar o meu jeito de ser e parar de me importar com a opinião dos outros. A Tereza tem uma força interior imensa e age com cabeça fria, ela sim tem o perfil adequado para o campo de batalha corporativo. Ainda tenho que aprender com ela. — Hera escutou o desabafo e pareceu ficar ainda mais triste, culpando a si mesma.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido