Logo cedo no sábado, Tereza desceu as escadas puxando sua mala.
Na sala de jantar da Família Cardoso, Delfina corria descalça e abraçada a um coelhinho de pelúcia, com os olhos ligeiramente avermelhados: — Mamãe, você não pode mesmo tirar uma folga? Hoje é o nosso passeio de dois dias, a Noemi e o tio dela vão. Você não vai mesmo?
Ao encarar os olhos expectantes da filha, Tereza sentiu o coração apertar dolorosamente.
Ela se abaixou para pegar a filha no colo, acariciando os pezinhos descalços com as palmas quentes de suas mãos: — Delfina, é claro que a mamãe queria ir, mas o trabalho desta vez é muito importante e não tenho como adiar. O papai prometeu que vai com você, e você também pode chamar a vovó...
Naquele exato momento, Norberto entrou pela porta com uma xícara de café na mão e pegou Delfina em seus braços com delicadeza: — Fique tranquila, o papai vai estar com você o tempo todo, para a mamãe poder trabalhar em paz.
— Tudo bem, mas a mamãe tem que voltar cedo e trazer presentes para mim e para o papai. — cedeu Delfina, abraçando o pescoço de Tereza, que beijou seu rostinho antes de responder: — Eu vou trazer, sim.
Norberto pôde sentir a leve e fresca fragrância que vinha dela. Ao observar a interação carinhosa entre mãe e filha, seu pomo de adão moveu-se sutilmente.
O som de um carro foi ouvido do lado de fora. Logo em seguida, Henrique entrou cumprimentando com um sorriso: — Bom dia, primo! Bom dia, Delfina!
O olhar de Norberto tornou-se visivelmente mais gélido: — Você também vai?
— Vou, sim. O alemão da Tereza não é tão bom quanto o meu, então vou ajudá-la como intérprete. — confirmou Henrique com um aceno de cabeça.
Norberto olhou para Tereza, lembrando-se de que ela sequer havia mencionado que Henrique os acompanharia.
Ignorando completamente o olhar do marido, Tereza voltou sua atenção para a filha: — A mamãe vai voltar para casa assim que terminar o trabalho. Comporte-se.
— Pode deixar, eu vou. — prometeu Delfina, que, sendo sempre um doce de menina, logo assumiu uma postura obediente.
Ao se aproximar, Henrique pegou a mala de Tereza de forma extremamente natural e declarou: — Primo, pode ficar tranquilo. Eu vou cuidar muito bem da Tereza.
Norberto estreitou os olhos escuros e afilados.
Tereza, não percebendo segundas intenções na fala dele, estendeu a mão para pegar a bagagem de volta.
Henrique, porém, riu animadamente e retrucou: — Tereza, deixe o trabalho pesado para os homens.
Desistindo de pegar a mala, Tereza acenou para a filha: — Delfina, não se esqueça de tirar muitas fotos para a mamãe ver. Vou acompanhar o seu passeio de longe.
— Tá bom, vou tirar fotos bem lindas para a mamãe ver! — respondeu Delfina, exibindo os dentinhos de leite em um sorriso aberto e radiante.
No aeroporto, Gregório estava sentado na sala de embarque com alguns membros de sua equipe. Ao ver Tereza e Henrique entrarem juntos, seu olhar endureceu levemente.
Henrique aproximou-se com um sorriso no rosto para cumprimentá-lo com um aperto de mãos: — Sr. Duarte, conto com a sua parceria nesta viagem.


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