Pratos deliciosos haviam acabado de ser servidos na mesa. Após a saída dos funcionários, as portas de madeira entalhada foram bem fechadas.
Jessica ergueu a xícara de chá e tomou um pequeno gole.
— Tereza, têm acontecido muitas coisas na família ultimamente. Sei que tem sido cansativo para você também.
Tereza respondeu suavemente.
— Mãe, é minha obrigação.
Jessica pousou a xícara e fixou o olhar em Tereza.
— A Hera... Sobre o desmaio dela ontem, o Norberto colocou a culpa em você?
Tereza hesitou por um segundo. A sogra sempre fora perspicaz e astuta em suas observações. Ela respondeu com tranquilidade.
— A minha cunhada está melhor agora?
— Sim, ela teve alta hoje. Mandei alguém buscá-la para descansar em casa. — Parecia haver um significado oculto nas palavras de Jessica.
Tereza, naturalmente, entendeu a entrelinha. Os rumores diziam que, embora Hera não tivesse o sobrenome Cardoso, Jessica a tratava como se fosse sua própria filha. Tudo o que as herdeiras de outras famílias possuíam, ela também tinha, e até coisas que outras não conseguiam, Hera obtinha com facilidade.
Jessica continuou, olhando para Tereza.
— Eu sei que você foi injustiçada. O Norberto, às vezes, se apega demais ao passado e perde a noção dos limites. Mas a Hera está sozinha no mundo agora. Com a partida do Alarico, ela se tornou uma responsabilidade da Família Cardoso. Você entende o que quero dizer?
Tereza assentiu.
— Eu entendo, mas... ela deveria ter uma justificativa clara para continuar na família, não?
O olhar de Jessica escureceu.
Tereza segurou sua xícara de chá e deu um gole.
— Já que meu cunhado faleceu, por que a senhora não anuncia publicamente que ela permanecerá na Família Cardoso como sua filha adotiva? Dessa forma, calaria a boca das pessoas lá fora e evitaria fofocas.
Jessica começou a avaliar Tereza com um olhar afiado.
— Falaremos sobre isso depois, embora eu já tenha pensado nessa possibilidade. Tereza, você é a esposa do Norberto, a legítima nora da Família Cardoso. A sua elegância e tolerância representam a honra da nossa família. Você tem a Delfina agora, e também conquistou o seu espaço na empresa. Durante esses seis anos de casamento, não faltou carinho e respeito por parte do Norberto. Fique tranquila, a sua posição é inabalável.
Passadas das três da tarde, Kesia bateu na porta do escritório.
— Dra. Leal, o jantar das seis da tarde com os parceiros de negócios e os especialistas da Agência de Vigilância Sanitária já está confirmado.
Tereza assentiu.
— Certo. Muito obrigada pelo trabalho!
Às cinco e meia. Como era dia de Jessica buscar Delfina para jantar na mansão da família, Tereza finalmente tinha tempo para participar daquele compromisso de negócios.
Ela chegou pontualmente, reunindo-se com o diretor do departamento de pesquisa e desenvolvimento e outros executivos na sala privativa, discutindo os detalhes da cooperação com os convidados.
No meio do jantar, ela pediu licença para ir ao banheiro.
Enquanto caminhava pelo corredor, seu olhar passou de relance por uma área de mesas semiabertas.
Através das frestas de um elegante biombo de madeira entalhada, algumas figuras familiares chamaram sua atenção.

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