— Hera, você é uma garota tão boa. Sempre pensa nos outros. Você tem sofrido tanto. — O coração de Jessica despedaçava-se naquele momento. Era abençoada com uma filha tão dócil e compreensiva, e ainda assim falhava em protegê-la.
Hera sorriu amargamente:
— A Família Cardoso foi boa para mim, e a senhora sempre me encheu de mimos. Eu tenho que ter juízo.
A coletiva de imprensa no auditório do Grupo Cardoso estava perfeitamente organizada.
Hera havia enxugado as lágrimas há tempos. Vestia uma saia modesta e comportada, sendo levada para o palco numa cadeira de rodas.
Os jornalistas tinham sido escolhidos a dedo pela velha senhora; tudo estava rigorosamente calculado.
Hera já sentira na pele o poder da matriarca e, obviamente, não se atreveu a aprontar mais nenhuma armadilha.
Ela leu o comunicado exatamente como lhe fora exigido. Com um olhar sereno e expressão séria, passava uma imagem extremamente convincente.
Ao concluir a leitura, ela não estava muito disposta a responder às perguntas da imprensa. Sabia muito bem que quanto mais tentasse explicar uma situação daquelas, mais se afundaria nela; limpar sua imagem era uma missão impossível.
Portanto, apenas como um gesto de agradecimento pela presença dos repórteres, ela tentou se levantar para fazer uma reverência. O que não previu foi a fragilidade de sua perna direita. A dor lancinante a fez perder o equilíbrio, e ela caiu para trás novamente. Essa queda lhe causou uma dor tão absurda que ela começou a suar frio, com o rosto cadavérico. Em meio ao alvoroço dos funcionários em volta, ela desmaiou.
Dessa vez, Hera não foi carregada nos braços de ninguém. Foi retirada na maca pela equipe médica da empresa. As câmeras dos repórteres quase soltavam fumaça de tantos cliques, os flashes perseguindo incansavelmente a sua palidez.
A matriarca estava sentada na sala VIP, assistindo a tudo através do vidro espelhado.
O rosto dela não esboçou nenhuma reação. Já Dona Lídia, ao seu lado, sentiu uma pontada de compaixão.
— Senhora, a senhorita...
— Ela não vai morrer — a matriarca cortou-a secamente. — Somente a dor é capaz de ensinar alguém a ter clareza de pensamento.
Dona Lídia engoliu as palavras imediatamente e recuou em silêncio. Observou o rosto envelhecido de setenta e oito anos da velha senhora, marcado pelo tempo, mas com olhos que ainda faiscavam cheios de vigor.
Norberto não estava na sede do grupo naquele dia. Quando soube da coletiva de imprensa, tinha acabado de concluir uma reunião, e voltou às pressas.
Dentro do carro, Eduardo mostrou-lhe um vídeo da conferência. Naqueles curtos dez minutos, Hera pediu desculpas repetidas vezes e, no fim, esquecendo-se da perna machucada, tentou fazer uma reverência de agradecimento, levando a mais uma queda. Desta vez, suava frio de dor antes de perder a consciência.

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