Hera ergueu o rosto, sorriu para ele e, por fim, deixou-se ser guiada obedientemente pela cintura enquanto caminhavam em direção à porta.
A intenção original de Tereza era ir embora, mas Eduardo já a tinha visto. Se ela saísse apressada agora, pareceria que tinha algo a esconder.
Portanto, ela continuou parada exatamente onde estava.
Norberto e Hera finalmente notaram a presença de Tereza na entrada. Hera abriu um sorriso e a cumprimentou.
— Tereza, o que você está fazendo aqui?
O olhar que Norberto lançou a Tereza também carregava um traço de questionamento.
Tereza respondeu num tom indiferente.
— Tive um jantar marcado com o Diretor Couto, da K&K, e o pessoal da Agência de Vigilância Sanitária.
Foi então que Norberto se lembrou de que realmente havia algo do tipo em sua agenda.
Hera prontamente empurrou Norberto de leve e se explicou.
— Tereza, o Norberto e eu viemos para um jantar com os nossos amigos. Você sabe, somos um grupo inseparável desde a infância. Por causa do meu desmaio, eles insistiram em me trazer para jantar.
Norberto imediatamente se virou para Eliseu, que estava ao lado.
— Eliseu, por favor, leve a Hera de volta para o Jardim Aurora. Ela está morando lá agora.
Eliseu assentiu com a cabeça.
— Certo, deixe comigo.
Hera logo sorriu, agradecendo.
— Então vou dar trabalho a você, Eliseu.
Eliseu protestou, visivelmente insatisfeito.
— Eu sou só três meses mais novo que você.
— Continua sendo o meu irmãozinho. — Após dizer isso, Hera virou-se novamente para Norberto. — E se eu passasse a te chamar de irmão Norberto, como eu costumava fazer?
A voz de Norberto soou profunda e rouca.
— Não invente moda. Vá para casa e descanse.
Hera mostrou a língua de forma brincalhona e se despediu de Tereza.
— Tereza, nós vamos indo nessa, então.
Norberto fez questão de ir pessoalmente abrir a porta do carona do Porsche 911 estacionado logo atrás. Ele deu suas instruções enquanto Hera entrava no carro.
— O médico mandou você descansar direito, então pare de ser inconsequente. E mais... nada de fumar, e nem pense em beber escondido. Se precisar de qualquer coisa, me ligue.
Norberto abaixou-se, entrou no banco de trás do Bentley e ordenou a Eduardo.
— Siga o carro da senhora.
Eduardo deu a partida imediatamente, mantendo uma distância segura enquanto acompanhava o carro de Tereza.
O coração de Tereza parecia ter sido cortado com a precisão de um bisturi, separando até o último laço que a mantinha presa àquela relação.
Depois da dor veio a raiva, e, logo abaixo da raiva, havia apenas a decepção.
Contudo, ela se lembrou de repente de Delfina murmurando antes de dormir, perguntando se o papai ainda não tinha voltado. O rostinho da menina transbordava frustração.
Lembrou-se também de Norberto a repreendendo por tentar tirar o projeto de Hera.
Da exigência que a sogra fizera durante o almoço, pedindo que ela fosse generosa, tolerante, conhecesse seu lugar e mantesse a dignidade.
Mais do que tudo, recordou-se da cena atrás do biombo, dele bebendo o vinho por ela e a acompanhando até o carro com tanto cuidado.
Todo o afeto que ela nunca havia recebido dele, ele entregava sem a menor cerimônia — de forma ainda mais intensa — a outra mulher.
Diante de um semáforo vermelho, Tereza abaixou a janela e respirou fundo o ar gelado. Em seguida, pegou o celular, procurou um número na lista de contatos e digitou rapidamente uma mensagem curta:
"Olá, Sr. Raul. Aqui é a Tereza. Já tomei uma decisão sobre as questões matrimoniais das quais conversamos anteriormente. Gostaria de agendar um horário com o senhor o mais rápido possível para uma entrevista detalhada antes de assinar a procuração formal. No momento que for mais conveniente para o senhor. Aguardo seu retorno."
Ela tocou na tela e enviou.

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