— Henrique, você acha que vou conseguir me divorciar com sucesso? — perguntou Tereza.
Henrique não hesitou por um segundo antes de responder:
— Receio que vá ser muito difícil. Meu primo já percebeu o valor da sua capacidade técnica. Ele fará de tudo para te prender ao Grupo Altus.
Tereza franziu a testa. Era exatamente o que ela suspeitava. Do ponto de vista profissional, de fato, ela não tinha um destino melhor no momento. O reconhecimento e os benefícios que conquistara no Grupo Altus provavelmente seriam menores em qualquer outra empresa.
Era uma excelente plataforma, mas Tereza tinha convicção de que, assim que o divórcio saísse, ela teria que ir embora.
Por melhor que fosse a empresa, não havia condições de cruzar com o ex-marido nos corredores todos os dias.
— Tereza, não desanime. Mesmo que você tenha paciência para esperar, há pessoas que estão com pressa. Quando a hora chegar, você certamente conseguirá sair numa boa.
Tereza estremeceu. Era verdade. Hera estava sendo pressionada pela matriarca a ir a encontros arranjados. Ela com certeza estava desesperada para se agarrar a Norberto como sua tábua de salvação, e, em breve, causaria um escândalo para conseguir o que queria.
— Você tem razão. — Tereza sentiu um peso sair de seus ombros.
Naquela mesma tarde, Tereza recebeu um comunicado oficial.
Eduardo entregou-lhe o documento em mãos. Tratava-se de uma autorização especial de Norberto: em reconhecimento ao seu desempenho excepcional no projeto da Apex, o grupo lhe concedia dez dias de licença remunerada.
Tereza aceitou, obviamente, e passou as horas seguintes organizando as pendências com a sua equipe.
Henrique assinou as aprovações sem pestanejar.
Assim que finalizou seu trabalho, Tereza mandou uma mensagem para Célia Guedes, avisando que levaria a filha à Suíça. Perguntou se ela tinha disponibilidade na agenda para acompanhá-las.
A resposta de Célia foi rápida: disse que já estava indo arrumar as malas.
Tereza riu alto, imaginando a mulher de negócios formidável e implacável igualmente desesperada por um descanso.
Com uma amiga como Célia junto, a viagem certamente estaria longe de ser monótona.
Como a agenda era apertada, Tereza e Célia compraram as passagens naquela mesma noite. Quando Delfina soube que viajaria para fora do país e veria Noemi, ficou tão radiante que tratou logo de colocar alguns de seus brinquedinhos na mochila.
No aeroporto!
Tereza segurava a mãozinha de Delfina enquanto esperavam Célia. Quando a amiga chegou, as duas se dirigiram ao portão de embarque com a menina.
Antes de embarcar, Delfina olhou para trás, procurando no saguão, e então puxou de leve o dedo de Tereza:
— O papai não vem mesmo? Mas ele me prometeu...
— Quem sabe ele não aparece depois de terminar as coisas no trabalho? Vamos entrar no avião primeiro, pode ser? — Tereza notou o desânimo repentino da filha e tentou confortá-la com ternura.
— Será que o papai vai ficar bravo? — sussurrou Delfina.

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