— A Sra. Guedes precisa voltar para o nosso país devido a um imprevisto. Divirta-se bastante com a mamãe.
Delfina soltou um 'Ah' compreensivo.
Tereza abraçou a filha e disse-lhe para se despedir de Célia.
Às onze e meia, quando Tereza desceu com a menina para o saguão do hotel, deparou-se com Norberto, sentado em uma mesa tomando café, claramente à espera das duas.
— Papai... — Delfina disparou em direção aos braços dele: — Adivinha! A Sra. Guedes voltou de viagem. Ela disse que foi uma urgência.
Norberto arregalou levemente os olhos e voltou-se para Tereza: — A sua amiga foi embora?
Tereza assentiu: — Sim, por questões de trabalho. Eu também decidi comprar passagens para voltar esta noite.
Um brilho de surpresa passou pelo olhar de Norberto, e ele sugeriu: — Vocês podem voltar no meu jato particular. Coincidentemente, eu também estou retornando.
— Eba! Mamãe, vamos juntos. O papai veio nos buscar para irmos para casa. — Como Delfina poderia entender o cabo de guerra emocional que se desenrolava entre os dois adultos à sua frente? Em sua mente infantil, o pai e a mãe seriam para sempre os seus entes mais amados.
Tereza abaixou os olhos, apertou os lábios e permaneceu em silêncio.
Norberto continuou: — Voando por companhias aéreas comerciais, vocês precisarão fazer escalas e gastarão pelo menos seis horas a mais. Você não pretende fazer a Delfina suportar uma viagem tão longa, pretende?
Tereza ergueu o rosto e fitou-o. Teve o ímpeto de mandar que ele levasse a filha primeiro, enquanto ela voltaria sozinha pegando o voo comercial.
Mas, com Delfina ali, Tereza reprimiu a ideia.
— Mamãe, vamos juntos, por favorzinho! — Delfina, com aguçada percepção, notou que o clima entre os pais não estava normal. Imediatamente agarrou os dedos de Tereza e balançou-os suavemente, suplicando com os grandes olhos escuros.
O humor de Norberto também já não estava dos melhores. Vendo que a esposa não daria o braço a torcer, usou um tom provocativo: — Não me diga que você está com medo de voar no meu avião?
Tereza estacou por um instante e o encarou.
— Se não tiver coragem, não serei eu a forçá-la...
Tereza olhou de relance para a filha. Logo em seguida, compreendeu o jogo do marido.
Ele estava usando uma tática rasteira e infantil para incitá-la?
— Norberto, quantos anos você tem?

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