Hoje, ela não demonstrava sequer um resquício de hesitação no tom de voz ou no olhar.
Norberto pegou o celular, procurou a foto de perfil dela, abriu o chat, digitou algumas palavras e as apagou logo em seguida.
A essa hora, a filha provavelmente já estava dormindo. Por ter se atrasado para a matrícula hoje, Delfina devia estar decepcionada com ele.
Enquanto Norberto se afundava na frustração, o celular tocou inesperadamente com uma chamada de vídeo. Ele atendeu depressa.
O rostinho de Delfina ocupou toda a tela, movendo-se de um lado para o outro antes de gritar alegremente.
— Papai, estamos num churrasco! Olha, a mamãe comprou iogurte para mim.
Os olhos de Norberto se estreitaram quando a câmera se moveu, revelando vários rostos familiares. Tristan estava lá com Noemi Guedes, Gregório Duarte também, e sentado ao lado de Tereza estava Henrique Cardoso. Ele achou até ter ouvido a voz de Célia Guedes ao fundo.
Norberto não esperava que Tereza estivesse em um ambiente tão animado àquela hora. Em contraste com a solidão do seu escritório, o lado dela transbordava a vivacidade da vida cotidiana.
— Tão tarde e ainda estão na rua? — Norberto forçou um sorriso ao perguntar à filha.
— Sim! Minhas aulas começam amanhã e a mamãe também volta a trabalhar. O Sr. Cardoso nos convidou para um churrasco, então chamei a Noemi. Como o Sr. Duarte foi visitar o vovô à tarde, ele veio junto. — Delfina tagarelava, muito animada.
Norberto finalmente entendeu como aquele grupo inusitado havia acabado jantando junto.
— Mamãe, estou em chamada de vídeo com o papai, quer falar com ele? — Delfina se inclinou e perguntou a Tereza.
Tereza, comendo elegantemente um espetinho de carne, respondeu sem rodeios.
— A mamãe está ocupada, fale você com ele.
Delfina apoiou o queixo nas mãos, seus grandes olhos escuros fitando Norberto pela tela com seriedade.
— Papai, a mamãe está comendo e não tem tempo para falar. Você ainda está no escritório? Já jantou?
Norberto olhava para o rostinho lindo da filha, esperto e travesso, era impossível não se encantar.
— Sim, o papai já comeu. Estou terminando de ler uns documentos. — Norberto respondeu.
— Tadinho do papai, trabalhando até tão tarde. Quer que eu peça para a mamãe embalar alguma coisa e levar para você? — O coração da menina apertou de pena.
— Não precisa, o papai está sem fome. Podem comer tranquilos, eu também já vou para casa. — Norberto sabia que Tereza jamais faria aquela entrega, então preferiu manter a dignidade e recusar primeiro.
— Sério? Então nos vemos em casa, tá? Te amo. — Delfina despediu-se e desligou.
Norberto segurou o celular com os dedos rígidos. A filha realmente achava que ele voltaria para o apartamento de Tereza?
Já era madrugada quando Norberto finalmente deixou o escritório.
Enquanto o elevador descia e os números mudavam no visor, Norberto observou seu próprio reflexo no espelho, sentindo uma ponta de estranheza em relação ao homem que via.
Ao chegar ao saguão do térreo, Eduardo e o motorista o aguardavam.

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