Ao vê-la pegar o acordo para ir embora, Norberto falou:
— Sobre os trâmites, pedirei ao advogado que acompanhe tudo. Se precisar de algo, pode falar diretamente com ele.
Tereza assentiu:
— Certo. Sobre a Delfina...
— Teremos que cumprir os nossos deveres como pais. — Após dizer isso, Norberto franziu levemente a testa. — Vamos esperar até que ela termine a cirurgia para contar-lhe. Ou então, poderemos fazê-lo quando surgir uma oportunidade apropriada. Deixaremos que as coisas sigam o seu curso natural.
Tereza ergueu os olhos para ele. Ele virou-se e acomodou-se novamente em sua grande cadeira de couro escuro.
Tereza considerou que a abordagem era justa e, portanto, assentiu:
— Está bem, faremos como você sugeriu.
O olhar de Norberto estava fixo nela. Quando Tereza estava prestes a sair, ela parou subitamente os passos, olhou para trás e disse:
— Obrigada.
Norberto soltou uma risada fraca:
— Me agradecer pelo quê?
— Obrigada por não dificultar as coisas para mim nesta questão.
Norberto ficou atônito por um instante, e uma indescritível expressão de amargura surgiu no seu rosto:
— No acordo que assinamos anos atrás, estava estipulado que o fim do casamento seria resolvido de forma amigável. Eu só estou cumprindo o que combinamos.
Tereza fez que sim com a cabeça. Parecendo não ter mais nada a dizer, ela virou-se, abriu a porta e partiu.
Norberto observou-a sair sem qualquer hesitação. Ele, que instantes antes estava firmemente recostado na cadeira, levantou-se num ímpeto e ficou encarando a porta.
Tereza havia ido embora.
Tereza saiu do prédio do Grupo Altus. O céu sombrio ameaçava chover, e o vento, que assobiava vindo da esquina, reforçava o ar melancólico do outono.
Ela inclinou o rosto, fitou o céu por um instante e, com passos firmes, seguiu em frente. A partir daquele momento, ela voltava a ser a Sra. Leal.

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