— A mamãe e eu já vamos para casa, tchau, papai. — O rostinho de Delfina estava corado enquanto ela acenava para ele com a mãozinha.
Norberto permaneceu no lugar, observando as duas silhuetas — uma grande e uma pequena — entrarem no carro. Rapidamente, o Mercedes saiu do estacionamento, sendo logo seguido por um sedã preto. Eram os guarda-costas que Norberto havia designado para proteger Tereza; ela sabia muito bem disso.
O vento noturno soprou, trazendo o frescor do início do inverno. Ele ajustou o sobretudo, sentindo, de repente, um frio atravessar seu corpo.
As coisas que ele havia feito no passado, julgando serem as mais adequadas, agora pareciam ir totalmente contra a moralidade. Na época, não via problema algum, mas naquele momento, ao ouvir tudo ser jogado em sua cara, sentiu o rosto queimar de tanta vergonha e culpa.
Hera estava sentada no Bentley preto dirigido por Eduardo. Ao seu lado, repousavam alguns documentos e uma caneta-tinteiro. Os dedos dela acariciavam a caneta de forma involuntária, como se ali ainda restasse um pouco do calor de Norberto.
Pelo espelho retrovisor, Eduardo lançou um olhar furtivo para Hera. Tinha a impressão de que ultimamente ela não estava muito bem, com os olhos apáticos e sem brilho.
— A senhorita vai direto para o apartamento?
Hera murmurou um "sim" e continuou em absoluto silêncio.
Eduardo era o assistente de confiança de Norberto. Por mais que não dissesse nada, observava tudo com atenção. De repente, movida por um impulso, Hera perguntou a Eduardo:
— Eduardo, que diferenças você vê entre a Tereza e eu?
— Tanto você quanto a Dra. Leal são jovens excelentes e trabalham com pesquisa científica. — Ao ouvir a pergunta, as costas de Eduardo retesaram e ele se apressou em abrir um sorriso.
— Deixando a carreira de lado, como são as nossas personalidades? — Hera foi mais específica na pergunta.
Eduardo apertou o volante com força, apavorado. Não podia se dar ao luxo de ofender Hera, mas, ao mesmo tempo, a Dra. Leal era uma deusa que ele respeitava profundamente; jamais falaria mal dela.
— Bem... a senhorita está me colocando em uma posição difícil. Sou meio tapado para essas coisas, não sei me expressar muito bem. — Eduardo riu, tentando despistar de forma vaga.

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