— Chega. — Norberto não queria ouvir as explicações dela. — Percebo que, ao que parece, nunca te conheci de verdade.
— Norberto, eu só fiz tudo isso porque... eu também gosto de você. — Hera revelou seus sentimentos com audácia. — É verdade, naquele dia o Alarico e eu bebemos demais e acabamos dormindo juntos por acidente. Quando acordei, chorei muito, cheia de remorso, sem vontade de viver. O Alarico se ajoelhou na minha frente, implorando para que eu me casasse com ele, mas o que eu sentia por ele sempre pareceu incompleto. — Hera cobriu o rosto, falando em meio às lágrimas, como se fosse a vítima daquele casamento.
— Já que se casou com o meu irmão mais velho, você deveria tê-lo amado e ficado com ele. Como pôde usar a minha compaixão e me enganar com tantas mentiras para ganhar a minha confiança? — questionou Norberto, com a voz gélida.
— Eu... eu não conseguia aceitar isso. A pessoa que eu realmente amava era você, mas o Alarico... ele disse que me amava muito, que não se casaria com mais ninguém e até confessou que invadiu o meu quarto de propósito. Eu também sou uma vítima. Não me casei com o homem que eu amava, é claro que eu me sentiria frustrada. — Hera continuou a se explicar, aos prantos.
— Já chega. — Norberto não queria mais ouvir e ergueu a mão. — A partir de agora, viva a sua vida. Já que decidiu ter os filhos do meu irmão, deve assumir as responsabilidades que cabem a uma mãe.
— Eu farei isso. — Hera enxugou as lágrimas, fingindo-se forte. — O Alarico partiu de forma tão repentina, e eu realmente carrego essa culpa. Amarei essas duas crianças com a minha própria vida.
— Já que essa é a sua decisão, a sua escolha, então cumpra com a sua palavra. — disse Norberto, em tom grave.
— Norberto, da última vez, você disse que me ajudaria a cuidar das crianças enquanto crescessem. Essa promessa ainda está de pé? — Hera deu dois passos na direção dele de repente. — Norberto, eu ainda estou tão perdida...
— Se está perdida, então deveria ter pensado bem antes de decidir ter as crianças. Retiro o que eu disse da última vez. — Norberto lançou um olhar para o ventre dela. — No fim das contas, eu não sou o meu irmão. Não posso substituir a figura paterna para elas. A única filha que tenho é a Delfina.


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