O destino gostava muito de pregar peças. Hera balançou a cabeça, e as lágrimas caíram com ainda mais força, mas Norberto desviou o rosto e parou de encará-la.
Sem alternativa, ela se virou e caminhou em direção à porta, passo a passo.
Suas pernas já estavam fracas e cada passo exigia todas as suas forças. Ao sair do escritório, Hera encostou-se na parede e usou as costas da mão para enxugar as lágrimas do rosto.
Ignorando os olhares curiosos dos assistentes não muito longe dali, ela apenas virou a cabeça para encarar a porta fechada. O que estava esperando? Que ele corresse atrás dela como fazia no passado?
Dentro do escritório, Norberto permanecia sentado no sofá em silêncio, olhando para a porta fechada.
O sol de fim de tarde já havia se posto lá fora e o frio do início do inverno começava a tomar conta. Ele fechou os olhos e os abriu novamente. Talvez fosse hora de dizer adeus ao passado.
Ele olhou para os próprios dedos cerrados e abriu a mão lentamente, apenas para perceber que aquelas mãos não conseguiam segurar nada: nem o passado, nem o presente, nem o futuro.
Levantou-se, acendeu um cigarro e ficou de pé diante das janelas de vidro, observando o cair da tarde. Havia uma linha dourada e avermelhada no horizonte distante, e ele a encarou, absorto, até que a luz desaparecesse.
Uma semana após esse incidente, Hera não procurou Norberto nenhuma vez.
Norberto, naturalmente, também não a procurou.
No entanto, um imprevisto acabou arrastando Hera para um redemoinho ainda mais profundo.
Às sete e meia da noite, Hera recebeu uma ligação. Em seguida, desabou na cadeira, com o rosto pálido como papel. Mas não teve tempo de se preocupar com o próprio estado físico, pois logo recebeu outra chamada da sede, exigindo sua presença urgente.
Era a primeira grande crise de Hera desde que assumira o controle da Apex. Como responsável, não havia desculpas para fugir.

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