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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 122

Sul de Porto Fundo.

O céu era de um azul límpido, as águas cristalinas; uma terra pura.

Luana segurava os esboços do resort, parada à beira da água.

Seu olhar perdia-se no horizonte leste.

Ela imaginava como transformar aquela terra em uma vila próspera, uma mina de ouro.

A chuva começou de repente.

A estrada de terra virou lama.

Luana caminhava com dificuldade, afundando os pés no barro.

A chuva encharcou suas roupas em instantes.

Ela tentou cobrir a testa com a mão, mas a água invadia seus olhos.

Estava em um estado lamentável, procurando abrigo.

Através da cortina de chuva, viu um carro se aproximando.

Seu coração saltou de esperança.

Estendeu a mão para pedir carona.

O carro passou raspando por ela.

A água suja espirrou em suas roupas.

Por sorte, ela virou o rosto a tempo, evitando o gosto de lama na boca.

Bi-bi-bi!

A buzina soou, cortando o barulho da chuva.

Luana levantou a cabeça e viu o carro parado mais à frente.

Correu o mais rápido que pôde, abriu a porta e entrou.

— Obri...

A palavra morreu na boca.

Seus olhos encontraram o homem no banco ao lado.

Sebastião.

Luana ficou muda, paralisada pelo choque.

O destino parecia gostar de pregar peças cruéis.

Sebastião nem sequer olhou para ela.

Suas pernas longas sustentavam um notebook.

Ele mantinha a cabeça baixa, os dedos longos e elegantes dançando sobre o teclado.

Estava trabalhando.

Onde quer que esse homem estivesse, o ar parecia ficar rarefeito.

O "obrigada" de Luana saiu num sussurro, quase inaudível.

Se soubesse que era o carro dele, jamais teria entrado.

Na sua memória, o carro de Sebastião era sempre aquele Cayenne preto.

Mas um homem como ele teria uma frota à disposição.

Benito, no banco do motorista, olhou para Luana pelo retrovisor.

Voltou a concentrar-se na estrada.

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