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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 599

— Esse cara existe mesmo?

Estela afirmou:

— Eu garanto.

Zaqueu indagou:

— E por que você não abriu a boca antes?

Estela justificou-se:

— Porque achei que iam me chamar de supersticiosa maluca. Além disso, a equipe médica estava cuidando de tudo. Se eu indicasse algo que desse errado, a culpa cairia sobre mim.

Zaqueu suspirou:

— ...

Após pesar os riscos, Zaqueu decidiu que qualquer esperança valia a pena e levou a informação a Sebastião.

Sebastião estava afundado em sua cadeira. A luz do lustre de cristal lançava sombras duras sobre suas feições, tornando sua expressão uma máscara gélida e ilegível. Ele acendeu um cigarro. Puxou a fumaça com tanta fúria que os músculos do seu maxilar saltaram. Zaqueu percebeu imediatamente: a frustração do patrão estava no limite, provavelmente por mais um fracasso da equipe médica em encontrar o antídoto.

O cigarro queimou até o filtro.

Ele exalou a fumaça de forma lenta e opressiva. Sua voz soou rouca e áspera:

— Onde encontro esse homem?

Zaqueu rapidamente obteve a localização do Mestre Sa: a área montanhosa mais remota e inóspita de Porto Fundo.

Sebastião levantou-se abruptamente e pegou seu sobretudo, vestindo-o enquanto dava as ordens:

— Não conte uma palavra a ela. Eu e o Benito vamos até lá verificar.

Zaqueu concordou num aceno submisso. Ele sabia que, para o senhor, a vida da senhora havia se tornado o centro de sua sanidade. Se a ciência estava falhando, ele apelaria ao impossível.

Sebastião passou por ele como um furacão sombrio e deixou o escritório.

Desceu as escadas e saiu da mansão. Mal se acomodou no banco do carro, o celular vibrou.

Ao atender, a voz desesperada de Bernardo soou na linha:

— Senhor, a velha senhora está gravemente doente. O senhor pode vir para cá?

— Não.

Foi como se o chão desaparecesse.

O cérebro de Bernardo pareceu explodir em mil pedaços.

Luana havia tomado uma dose pequena. Mas a velha senhora, sofrendo de fortes dores no peito, havia consumido uma quantidade massiva daquelas pílulas adulteradas. Ela havia engolido pelo menos duas porções inteiras.

Se Luana, que ingeriu pouco, estava sendo torturada pelo veneno até agora... a velha senhora que consumiu uma dosagem letal...

Um frio cadavérico subiu pela espinha de Bernardo. Ele não teve coragem de imaginar o desfecho.

Ele era o guardião dos remédios. Ele próprio havia dado as pílulas a ela, ignorando que o frasco havia sido trocado. O suor frio encharcou suas costas.

Enquanto isso, Luana retornou de deixar Sílvio na escola e notou a ausência de Sebastião. Presumiu que ele tivesse ido à empresa. Mas, quando o sol se pôs e ela buscou a criança de volta, a casa continuava sem a presença sufocante do homem.

A noite caiu e a agonia do silêncio a venceu. Ela foi atrás de Zaqueu:

— Onde está o Sebastião? Ele volta hoje?

Zaqueu manteve a postura impecável:

— O senhor viajou a negócios. Ficará fora por alguns dias. A partida foi de última hora e ele não pôde avisá-la, então mandou que eu lhe informasse.

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