Ela entrou no quarto principal. As luzes estavam acesas, mas o cômodo estava vazio. Procurou no banheiro, mas nem sinal de Sebastião. Ao sair e olhar para o quarto de hóspedes, a porta firmemente trancada dizia tudo o que ela precisava saber.
Ele havia acendido as luzes do quarto deles, mas fora dormir no quarto de hóspedes. Era óbvio que não queria vê-la.
Um sorriso amargo, despido de qualquer esperança, curvou os lábios de Luana. Ela seguiu para o quarto infantil. O luar banhava o pequeno volume debaixo das cobertas. Ajoelhou-se ao lado da cama. Observou o rostinho sereno de Sílvio na penumbra, ouvindo sua respiração rítmica. Seu coração em frangalhos pareceu finalmente encontrar chão, como uma semente perdida no vento que enfim toca a terra.
Durante aqueles dias intermináveis, ela lutara contra si mesma para não pensar no filho.
Tentara trancá-lo do lado de fora de sua dor, para protegê-lo de sua própria ruína.
Mas, naquele instante, o vazio de sua alma gritou a falta que ele fazia. Com medo de acordá-lo, ela engoliu o pranto convulsivo. As lágrimas escorreram em silêncio, brilhando sob o luar como pérolas de puro desespero.
No meio da madrugada, Luana despertou. Jogou um casaco sobre os ombros e desceu para beber água. Ao passar pelo quarto de hóspedes, notou a porta entreaberta e a cama intacta. Olhou para o corredor. A fresta de luz vinda do escritório confirmou sua suspeita.
Pelo visto, ela não era a única consumida pela insônia.
Voltou com o copo d'água, mas o sono havia desaparecido. Sentindo um leve incômodo no estômago, foi à cozinha preparar algo rápido.
Preparou uma porção de macarrão salteado. Depois de comer, olhou para o andar de cima. Sem pensar muito, preparou outro prato. Subiu as escadas e bateu levemente na porta de madeira maciça do escritório.
Demorou até que a voz fria e cortante dele a autorizasse:
— Entre.
Luana abriu a porta e colocou o prato sobre a mesa de trabalho, bem em frente a ele:
— Eu estava com fome. Aproveitei e fiz para você também.
— Durante todos esses anos, que tipo de mulher não esteve à minha disposição? Mulheres deslumbrantes, perfeitas. E você, Luana, sendo bem racional, tem no máximo uma beleza mediana perto delas. Mas eu nunca olhei para nenhuma. Para mim, você é única. O que me enlouquece é não entender como, depois de tudo que passamos, você ainda ousa fugir em vez de enfrentar os problemas ao meu lado.
Luana não respondeu. Mas o tumulto caótico em seu peito, aos poucos, pareceu se acalmar diante da agressividade crua daquelas palavras.
— Eu...
Ela hesitou, engolindo a frase.
Sebastião puxou o ar com força, forçando a própria fúria a retroceder. Ele precisava dominar a possessividade selvagem que corria em suas veias; tinha medo de despedaçá-la se perdesse o controle.
— De hoje em diante, não importa o que aconteça, nunca mais tome decisões por conta própria. A equipe médica está virando noites. O novo antídoto sairá em breve. E se não funcionar, se você realmente odiar o espelho, nós pagamos a melhor cirurgia plástica do mundo. Mas Luana... você está proibida de me deixar. Se você me abandonar e abandonar o Sílvio de novo, eu...
Quando Luana finalmente ergueu o rosto, perdeu o chão. Os olhos do homem imponente à sua frente estavam vermelhos, e um brilho denso e úmido lutava contra o orgulho inabalável que ele sempre ostentara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...