Afinal, instintos primais ainda dominavam a natureza masculina.
Uma mulher poderia atravessar a vida com graça e vazio sem o toque de um homem, mas, para eles, a ausência de sexo era a condenação à agonia pura.
Dante permaneceu em silêncio por um longo tempo, antes de abaixar a voz:
— A equipe está trabalhando noite e dia no antídoto. De que adianta criar a cura se a paciente não estiver lá para recebê-la? Seria jogar todo esse esforço no lixo. Tudo vai ficar bem, Luana. Confie em mim.
As palavras de Dante traziam um aviso implícito:
Fique tranquila. Deixe comigo. Vou curar você. Mas a condição é não fugir. Se você desaparecer, a equipe perde o propósito de existir.
Luana murmurou:
— Sebastião fechou todas as saídas de Porto Fundo com garras de ferro. Eu dificilmente conseguiria escapar.
Os olhos de Luana transbordavam uma dor profunda e oca, como se falasse para si mesma na escuridão:
— Para onde eu poderia ir? Não tenho para onde ir.
Vendo a recusa teimosa em seus olhos, Dante soltou um suspiro pesado, o tom autoritário ressurgindo:
— Luana, você vai voltar comigo. Este buraco imundo não é lugar para um ser humano.
Dizendo isso, avançou para arrancá-la do quarto.
Luana percebeu que ele não iria recuar e o pânico explodiu. O abismo de força física entre os dois era inegável. Por mais que ela se debatesse, as mãos de aço de Dante a esmagavam e a arrastavam implacavelmente em direção à rua.
— Dante, me solte! Eu não posso voltar!
A mera menção ao retorno injetava um terror glacial em cada milímetro do seu corpo, encharcando seus ossos com o instinto animalesco de fuga.
Sebastião estava isolado no escritório, fumando na penumbra. Quando o nome de Dante piscou na tela, achou que houvesse avanços na pesquisa do antídoto. Ao atender, a frase bateu como um tiro, sem qualquer preâmbulo:
— Sua mulher está aqui. Venha buscar o que é seu, agora.
O tom era ríspido e urgente.
Sebastião contraiu o maxilar, e um sorriso predatório desenhou-se em seus lábios cruéis. Nem se deu ao trabalho de apagar o cigarro. Deixou o paletó para trás, descendo as escadas em um rompante violento com seu suéter de gola alta. O carro rugiu, possuindo o asfalto na direção do ponto exato.
Ao descer do carro na zona lúgubre, os olhos de predador de Sebastião perfuraram as sombras. Sob o poste de luz falho, duas silhuetas se desenhavam. Ele avançou e seus olhos gélidos encontraram Dante e a mulher de máscara.
A mão pesada de Dante continuava agarrada brutalmente ao ombro da mulher.
Ao ver a aproximação letal de Sebastião, Dante soltou-a como se a pele dela queimasse, sentindo um alívio mortal:
— Você finalmente chegou. Tire sua mulher daqui e assuma o controle.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...