— Resolver? — Sebastião repetiu, incrédulo. — Como? Arrancando o resto do cabelo dela? Ou matando outro bebê?
Camila vacilou, como se tivesse levado um tapa.
Ela trincou os dentes:
— Foi ela quem te contou?
Sebastião sorriu, um sorriso amargo.
— Mãe, ela não precisou dizer nada. Eu tenho olhos. Eu mesmo vou lidar com a Vanessa. Não quero que a senhora se envolva mais nisso.
Camila tentou retrucar, mas Sebastião a ignorou e entrou no quarto.
Camila ficou olhando para a porta fechada, tremendo de raiva.
Dentro do quarto, Luana beijava a mãozinha de Sílvio.
Seus olhos estavam fixos no rosto corado da criança.
Ela nem pareceu notar a entrada dele.
Sebastião suspirou, as mãos nos bolsos, e caminhou até ela.
Diante do silêncio dela, ele sentou-se na cadeira oposta.
Ele pensou em fumar para acalmar os nervos, mas ao ver o filho, desistiu.
O silêncio era pesado, sufocante.
Apenas a respiração de Sílvio preenchia o vazio.
— Eu vou levar o menino.
A voz de Luana era suave, mas carregada de uma determinação inabalável.
Não era um pedido.
Era um aviso.
Sebastião ficou em silêncio.
Ele se levantou bruscamente e foi para a varanda.
O barulho da cadeira assustou Sílvio, que estremeceu no sono.
Depois de um tempo, Sebastião voltou, cheirando a tabaco.
Luana levantou-se e abriu a janela para dispersar o cheiro.
Ela não olhou para ele nem por um segundo.
Sebastião sentiu a indiferença dela e sua irritação cresceu.
Sua voz, rouca pelo cigarro, quebrou o silêncio:
— Luana, a Vanessa é digna de pena. Ela já... perdeu tudo...

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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