Vanessa.
Aquele nome era sua maldição pessoal.
Mesmo morta, Vanessa continuaria sendo a sombra intransponível entre Luana e Sebastião por toda a eternidade.
E agora, Luana estava encurralada em um beco sem saída.
Ela guardou as duas pulseiras na caixa e fechou a gaveta com um clique definitivo.
Seu cabelo ainda estava encharcado, gotas d'água escorriam da testa para a ponta do nariz, mas ela não se importou em secar.
Sentou-se na cama e acendeu um cigarro.
A dor de cabeça era constante ultimamente, e a nicotina era seu único alívio.
Quando o cigarro virou cinzas, ela pegou o celular e digitou:
"Você volta hoje?"
Ela esperava o silêncio de sempre.
Mesmo antes de a relação deles ruir, ele raramente respondia.
E quando respondia, levava horas.
Mas, para sua surpresa, a resposta foi imediata.
"Onde você está?"
Ele perguntou.
"Em casa."
Ela respondeu com brevidade.
Contra todas as expectativas, Sebastião enviou outra mensagem logo em seguida:
"Ainda tenho pendências aqui. Vá dormir."
Soava como uma interação conjugal normal, um marido avisando a esposa.
"Não consigo dormir."
Enquanto enviava a mensagem, Luana acendeu outro cigarro.
Entre a fumaça que dançava no ar, ela apontou a câmera para si mesma.
Tirou várias fotos e as enviou.
Do outro lado da cidade, no escritório frio e silencioso, Sebastião olhou para a tela.
A imagem da mulher com o rosto limpo, gotas de água deslizando dos cabelos para o pescoço, passando pela clavícula e desaparecendo no decote do pijama de seda molhado.
O tecido translúcido revelava contornos que fizeram o sangue dele ferver.
Era uma visão de pura provocação.
Sebastião sentiu um aperto violento no baixo ventre.
O desejo o atingiu como um soco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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