Vendo a expressão assassina de Sebastião, o guarda engoliu em seco, com medo de continuar.
A verdade era que Urbano, o guarda, sentiu pena.
Luana segurou aquele gravador e chorou com uma dor tão visceral que parecia que seus ossos estavam se partindo.
Lembrou a Urbano o choro de sua irmã quando se divorciou.
Era o som de um mundo desabando.
Mas ele não contou a Sebastião que, após o choro, o rosto de Luana assumiu a frieza de um cadáver.
Ela nem sequer ouvira a gravação; apenas guardou o objeto.
Luana estava decidida a morrer.
Não queria dar a Sebastião nem a esperança de uma resposta.
Urbano, compadecido, respeitou o silêncio dela.
Sebastião tinha esperança de que, ao ouvir sua voz, ela mudasse de ideia.
Se Guilherme entrasse no caso, a acusação de homicídio cairia por terra.
Mas a esperança dele virou cinzas.
A confissão de Luana foi rápida e o caso era midiático.
Em questão de horas, Luana era a "Víbora de Porto Fundo" nas manchetes.
Diziam que ela matou Vanessa por ciúmes e eliminou Fernanda para cobrir o rastro.
A internet a transformou em um monstro.
Sebastião trancou-se no escritório.
Dois dias e duas noites sem comer, sem beber.
No andar de baixo, o choro de Sílvio era incessante.
Teresa e Suzana tentaram de tudo, mas o bebê parecia sentir a ausência da mãe.
Camila, desesperada, pegou o neto no colo.
O menino suava de tanto chorar.
Ela subiu e esmurrou a porta do escritório.
— Sebastião! Abra essa porta!
Nenhuma resposta.
Camila acariciou as costas do neto, impotente:
— Não chore, meu amor... a mamãe vai voltar.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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