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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 220

Vendo a expressão assassina de Sebastião, o guarda engoliu em seco, com medo de continuar.

A verdade era que Urbano, o guarda, sentiu pena.

Luana segurou aquele gravador e chorou com uma dor tão visceral que parecia que seus ossos estavam se partindo.

Lembrou a Urbano o choro de sua irmã quando se divorciou.

Era o som de um mundo desabando.

Mas ele não contou a Sebastião que, após o choro, o rosto de Luana assumiu a frieza de um cadáver.

Ela nem sequer ouvira a gravação; apenas guardou o objeto.

Luana estava decidida a morrer.

Não queria dar a Sebastião nem a esperança de uma resposta.

Urbano, compadecido, respeitou o silêncio dela.

Sebastião tinha esperança de que, ao ouvir sua voz, ela mudasse de ideia.

Se Guilherme entrasse no caso, a acusação de homicídio cairia por terra.

Mas a esperança dele virou cinzas.

A confissão de Luana foi rápida e o caso era midiático.

Em questão de horas, Luana era a "Víbora de Porto Fundo" nas manchetes.

Diziam que ela matou Vanessa por ciúmes e eliminou Fernanda para cobrir o rastro.

A internet a transformou em um monstro.

Sebastião trancou-se no escritório.

Dois dias e duas noites sem comer, sem beber.

No andar de baixo, o choro de Sílvio era incessante.

Teresa e Suzana tentaram de tudo, mas o bebê parecia sentir a ausência da mãe.

Camila, desesperada, pegou o neto no colo.

O menino suava de tanto chorar.

Ela subiu e esmurrou a porta do escritório.

— Sebastião! Abra essa porta!

Nenhuma resposta.

Camila acariciou as costas do neto, impotente:

— Não chore, meu amor... a mamãe vai voltar.

Capítulo 220 1

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