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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 310

O corte foi profundo. O sangue jorrou do peito de Eliana.

Em instantes, o vermelho chocante refletiu nos olhos de Sebastião. Ele não disse nada. Apenas apertou os lábios, o olhar sobre Eliana tão frio que causava arrepios.

Benito empurrou a porta:

— Sr. Sebastião...

A frase morreu na garganta ao ver o cenário sangrento. Percebendo algo errado com Benito, Dante, que vinha logo atrás, entrou no escritório.

Ao ver Eliana coberta de sangue, os lábios de Dante tremeram e seu rosto ficou branco como papel. Ele correu até ela, tentando estancar o sangue, mas o ferimento era profundo demais. Ele só pôde pressionar o peito dela com as duas mãos, virando-se para olhar Sebastião, que permanecia gélido, como um espectador indiferente.

— Ela está gravemente ferida. Precisa ir para o hospital agora!

Assim que Dante falou, o corpo de Eliana oscilou e ela caiu pesadamente no chão.

Dante agachou-se rapidamente, os dedos ensanguentados pressionando a ferida novamente.

Ele viu que o olhar de Eliana estava fixo no rosto de Sebastião, como se dissesse que, se ele não ordenasse, ela preferiria morrer ali a ir para o hospital.

Dante franziu a testa e gritou, encarando a face impávida de Sebastião:

— Sebastião! Se não a levarmos agora, sua irmã vai morrer!

Sebastião soltou um riso frio:

— Dante, vocês combinaram essa encenação para me enganar?

Dante não entendeu o que ele queria dizer e berrou:

— Você ficou louco? Vamos tratar os ferimentos dela primeiro!

Dante ergueu Eliana nos braços para correr até a porta, mas Sebastião bloqueou seu caminho. Dante estava furioso, seu rosto alternando entre o pálido e o lívido. Ele rugiu como um animal:

— Sai da frente!

Sebastião não moveu um músculo. Ele perguntou:

— Vocês combinaram isso, não foi? Se não fosse combinado, seria impossível você aparecer segundos depois dela chegar. Dante, voar da Irlanda até aqui leva mais do que alguns minutos.

Ao ouvir isso, Dante ficou petrificado. Um suor frio percorreu suas costas.

Ele cerrou os dentes:

— Você...

Ele teve vontade de espancar aquele Sebastião de sangue frio.

A frase de Sebastião colocava a vida de Eliana inteiramente nas mãos de Dante.

Se Eliana viveria ou morreria, dependia apenas dele.

Os lábios arroxeados de Eliana curvaram-se em um sorriso de uma beleza mórbida. Ela arfou:

— Dante... obedeça ao meu irmão.

Sem conseguir contrariar Eliana e vendo que ela lutava para descer, Dante, temendo que o esforço rompesse ainda mais o ferimento e a matasse, colocou-a no sofá.

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