— Pai, a Luana é minha namorada. Daqui pra frente, ela virá me visitar com frequência, então o senhor não pode dificultar as coisas para ela.
*Namorada?*
Processando aquelas palavras, a testa de Sebastião se franziu em linhas negras de descontentamento.
— Sílvio, ela tem idade para ser sua mãe. Como pode ser sua namorada?
— Dizem que mulher mais velha vale ouro. A Luana é 23 anos mais velha que eu. Pai, imagina o tamanho da fortuna que eu vou ter?
— Sílvio!
Sebastião gritou, pausando entre as sílabas, a paciência por um fio.
— Pai, seu cabelo já está branco, se continuar com raiva sua barba também vai ficar. Eu e a Luana precisamos colocar o papo em dia, faz muito tempo que não nos vemos. O senhor poderia dar licença para o casalzinho conversar?
Sílvio grudou em Luana como um chiclete.
O rosto de Sebastião estava coberto por nuvens carregadas, e um ar gélido emanava de seus olhos. Ele estava prestes a dizer algo quando foi interrompido por Luana, que o empurrou em direção à porta:
— Vá ver se o almoço já está pronto na cozinha. O Sílvio ainda não tomou café da manhã.
Antes que Sebastião pudesse reagir... *Bum!* A porta foi fechada na cara dele.
Sebastião encarou a porta fechada, rangendo os dentes de raiva. Aquele moleque ingrato estava competindo com ele pela própria esposa.
O ciúme ácido corroía o estômago de Sebastião.
Luana ajudou Sílvio a trocar o pijama e a se lavar. Depois, Sílvio a levou para a sala de coleções para montar Lego. O menino era muito inteligente; estava montando um dos sets mais complexos.
— Seu pai te bate com frequência?
Luana perguntou enquanto o ajudava com as peças.
Sílvio assentiu:
— Sim. A mão dele é pesada. Toda vez que ele me bate, dói muito.
Luana olhou para o quarto cheio de brinquedos, acariciando um urso de pelúcia gasto. Seus olhos percorreram aquele amontoado de objetos que representavam os anos de crescimento de Sílvio nos quais ela esteve ausente. Seu coração começou a doer, apertando lentamente.
— Você sente falta da sua mãe?
Luana perguntou, tateando o terreno.
Sílvio pareceu não se importar e respondeu com descaso:
— Não.
Luana sentiu o peito apertar ainda mais.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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