Era a primeira vez que Luana se mostrava tão irredutível. Tudo por um único vislumbre de seu filho.
Zaqueu emudeceu.
Luana rejeitou a proteção do guarda-chuva. Ela saiu deliberadamente debaixo da copa da árvore, entregando-se à tempestade violenta. Seu olhar permaneceu fixo, cravado na direção do hotel.
Ela havia tentado subir para confrontar Sebastião antes. Embora não soubesse o andar exato, tinha a certeza de que não era um dos mais altos.
Zaqueu perdeu o chão diante daquela cena.
Ele lançou um olhar aflito para a mulher e abaixou-se para recolher o guarda-chuva do chão.
Uma vibração soou em seu bolso. O toque do celular foi quase engolido pelo rugido da água, mas ainda se fazia notar fracamente.
Com os dedos encharcados, Zaqueu deslizou a tela para atender. A voz gélida e autoritária de Sebastião ecoou no alto-falante:
— Zaqueu. Você não serve nem para entregar a porra de um guarda-chuva. Para que eu te pago?
A reprimenda carregada de opressão fez Zaqueu querer chorar convulsivamente. Ele respondeu, acuado:
— O senhor me perdoe... Mas a Srta. Luana está irredutível. Ela rejeitou a proteção. Disse que não vai arredar o pé daqui até que o senhor permita que ela veja o menino.
Assim que ele terminou a frase, a ligação foi encerrada de forma abrupta.
Zaqueu guardou o aparelho e correu de volta até Luana. Ele ergueu a lona escura sobre a cabeça dela, bloqueando a fúria da ventania e do temporal.
Luana não tentou afastá-lo dessa vez. Ela apenas abaixou as pálpebras exaustas. A água da chuva escorria pela sua testa, deslizava pela ponta do nariz e despencava do queixo, encharcando ainda mais as roupas que grudavam em seu corpo transparente de tão frágil.
Zaqueu observava a cena com a agonia corroendo seu peito:
— Srta. Luana, não faça isso consigo mesma. Se pegar uma pneumonia, será a única a sofrer as consequências. Qual o sentido dessa tortura?
Ele esgotou seus argumentos tentando convencê-la. Contudo, Luana não absorveu uma única sílaba.
Sua mente, seu peito e cada fragmento do seu vazio eram habitados apenas pelo rosto de Sílvio. Pela sombra de Sílvio.
Ela já havia decifrado tudo. Se Sebastião a proibia de ver o menino, era o sinal irrefutável de que algo trágico havia acontecido com ele.
Em circunstâncias normais, Sebastião jamais usaria de uma crueldade tão extrema para pressioná-la.
A garganta de Zaqueu já estava seca de tanto implorar, e suas opções haviam se esgotado.
De repente, um brilho de choque cortou o olhar do assistente. Ele exclamou, atônito:
— O senhor.
Ao ouvir o pronome de reverência, Luana virou o rosto. Seguindo a direção do olhar de Zaqueu, ela encontrou a silhueta imponente e sufocante parada a um metro de distância. Os dedos de ossos bem marcados seguravam com firmeza o cabo de um guarda-chuva negro. A água escorria pelas bordas do tecido e se chocava contra os sapatos dele, espirrando pequenas gotas pelo asfalto.
E sob o negrume do guarda-chuva, revelavam-se os traços implacáveis do rosto de Sebastião.
Ao vê-lo, os lábios dela se abriram em um tremor mudo. Um ardor insuportável queimou seus olhos. Lágrimas escaldantes se misturaram à chuva gélida, rasgando suas bochechas.
— Na sua concepção, eu não sou o maior monstro da face da terra? Um desgraçado sem escrúpulos? Se eu sou a porra de um demônio, por que eu me importaria? Pois hoje, farei questão de provar que você sempre teve razão.
Luana agarrou o tecido da camisa dele num ato de desespero.
— Não vá! Eu te imploro. Me deixe ver o Sílvio. Apenas uma vez.
Ele baixou o olhar gélido sobre as feições pálidas e banhadas em lágrimas. O pomo de adão subiu e desceu em sua garganta. Ele trincou o maxilar, forçando-se a sufocar a própria alma:
— Impossível.
— Sebastião...
O tom de Luana era o ápice da impotência e do pânico cego.
— O que você quer de mim? O que eu preciso fazer para ter o direito de encontrar o meu filho?
A submissão na voz dela e o olhar suplicante funcionavam como facas enferrujadas sendo cravadas e torcidas no coração do homem.
Sebastião sentiu a beirada dos olhos arder. Uma umidade escaldante ameaçava trair sua postura de superioridade:
— Luana. Já se passaram cinco anos. Você viveu perfeitamente bem sem a existência dele até hoje. Faça um favor a si mesma... e finja que ele morreu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...