Entrar Via

Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 449

Ele dissera que foi encontrar a doadora e que, na mesma noite, a pessoa adoeceu e precisou ser operada.

E a única pessoa capaz de causar tamanho alvoroço na matriarca, carregando aquele sobrenome...

Luana apertou o celular, os nós dos dedos rígidos:

— O nome da paciente é Dionísia?

— Sim.

Fausto respondeu, atônito com a intuição dela.

Como se a última gota de vida lhe fosse arrancada, Luana perdeu o chão, cedendo ao peso do próprio corpo.

Sua mente mergulhou em um zumbido surdo. Tudo era cinzas e caos.

— Srta. Luana...

Do outro lado da linha, Fausto a chamou repetidas vezes, sem resposta.

Depois do que pareceu uma eternidade, o vazio nos olhos dela recuou e a lucidez retornou.

Luana forçou os batimentos a se acalmarem. Seus lábios desbotados mal se moveram:

— O que mais descobriu? Continue. Estou ouvindo.

— Usei meus contatos para conseguir o prontuário dela no hospital. O documento atesta que as funções corporais estão em um estado deplorável. Consultei um especialista, e ele confirmou que o corpo de Dionísia precisou ser quase totalmente reconstruído. Em outras palavras, ela sofreu um acidente de proporções catastróficas.

Fausto falou de forma metódica, sabendo da gravidade e da importância de expor cada detalhe a Luana.

— Seguindo esse rastro, investigamos a família Penha em sigilo. Descobrimos que Dionísia sofreu um grave acidente de carro recentemente. Dizem que ela teve uma discussão intensa com o irmão, saiu de casa transtornada e acabou batendo o veículo. O nível de conflito foi tanto que Fabiana, a mãe dela, esfaqueou o próprio filho por conta disso. A fraqueza física de Dionísia não é uma farsa. Sebastião e Dante não mentiram.

A ligação chegou ao fim.

Mas cada palavra de Fausto continuou orbitando a mente de Luana, como corvos sobrevoando ruínas.

Demorou a assimilar o golpe. A mulher que carregava a salvação de seu filho, Sílvio, era justamente Dionísia.

O destino beirava o macabro. Entre bilhões de pessoas no mundo, o único sangue compatível com a carne de sua carne pertencia a Dionísia.

Não era de se admirar que Sebastião mantivesse tudo em absoluto silêncio.

Acorrentada à própria angústia, Luana permaneceu sentada perto da janela. O peito apertado, refém de um medo sombrio.

Sua respiração tornou-se frágil, superficial.

Intocável em sua indiferença, Luana não se ofendeu:

— É apenas um gesto. Afinal, você precisa de um corpo forte antes de doar a medula ao meu filho.

Dionísia estreitou os olhos, venenosa:

— Não estou salvando o seu filho. Estou salvando a minha felicidade, o meu futuro. Estou salvando o filho do Antônio.

Um sorriso sem vida curvou os lábios de Luana. O olhar era puro gelo:

— O filho do seu amado Antônio também rasgou o meu ventre ao nascer. Srta. Dionísia, seja qual for a sua condição, apenas exija.

Luana parecia disposta a ser esfolada viva se fosse necessário.

A expressão de Dionísia endureceu:

— Condição? O que quer dizer com isso? Luana, você me subestima. Quem julga o outro pelas próprias falhas, revela apenas a podridão da própria alma.

No instante seguinte, ao captar uma silhueta alta se movendo pelo reflexo do vidro, a voz de Dionísia tornou-se doce e frágil:

— Pelo Antônio... Pelo pequeno Sílvio... Não me importaria de doar minha medula. Entregaria até minha própria vida, de bom grado.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais