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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 616

Ela desligou o telefone.

Luana iniciou uma chamada de vídeo com Sílvio. A telinha tremeu até que o pequeno rosto sapeca de seu filho surgiu. Ele piscou maliciosamente, passou a língua pelos lábios e gritou com a boquinha rosada:

— Luana!

Vendo os cabelos úmidos e o pijama do menino, ela notou que ele havia acabado de sair do banho. Estela correu atrás dele segurando um secador de cabelo; enquanto secava o menino, olhou para a tela e, ao ver o rosto de Luana, sorriu docemente:

— Luana, o Sílvio nem quis secar o cabelo quando ouviu a chamada. Hoje, desde que voltou da escola, só perguntava para onde você tinha ido. Eu brinquei dizendo que a senhora foi capturar o paizão na Cidade do Trono, e o garotinho só suspirava, reclamando que queria ter ido junto.

O olhar exausto de Luana se prendeu no rosto do filho. Enquanto brincava com o iPad, Sílvio perguntou:

— Luana, como a bisavó está?

— Ela está muito doente, no hospital. Ainda não acordou.

Ela disse a dura verdade ao filho.

Sílvio tirou os olhos da tela do iPad e a encarou:

— Por que a bisavó ficou doente desse jeito?

Assuntos do submundo adulto não deveriam tocar a inocência das crianças.

Era natural a curiosidade dele.

Luana respondeu calmamente:

— Não foi de repente. Quem planta ventos, colhe tempestades. As raízes dessa doença já estavam cravadas nela há muito tempo.

Sílvio tentou mastigar mentalmente aquela expressão, não compreendendo por completo, mas preferiu não perguntar mais.

Luana conversou com ele por mais um tempo, exigindo que ele se comportasse, e prometeu que voltaria para Porto Fundo em alguns dias.

Com o cabelo seco, o garoto saiu correndo abraçado ao iPad. Estela pegou o celular, mirando a câmera no próprio rosto:

O simples fato de ela ter perguntado já era motivo de imensa gratidão oculta sob a casca de ferro do homem.

Sem querer que o assunto criasse mais abismos entre eles, o tom controlador de Sebastião mudou o rumo:

— Com quem você estava falando?

Ao se aproximar da porta, ele ouvira a voz dela; como estava sozinha, presumiu que estivesse no WhatsApp.

— Eu estava em uma chamada de vídeo com o Sílvio. Ele está comportado.

Dizendo isso, Luana foi até a cozinha buscar o caldo nutritivo que preparara para ele.

— Pedi para Dante me passar os ingredientes da sopa medicinal e acrescentei frango. Vai ajudar no seu corpo.

O olhar que Sebastião lançou para ela esbanjava uma ternura opressiva. O brilho predatório em seus olhos suavizou gradualmente. Ele pegou a tigela e secou tudo em grandes goles. Colocou a vasilha vazia de lado, agarrou o pulso dela com firmeza e a puxou violentamente para seus braços. As costas de Luana encostaram no peito largo dele, e o leve calor do suor impregnou sua pele. Ela conseguia ouvir as batidas dominantes de seu coração, fortes e descompassadas.

Ele repousou o maxilar rígido sobre a cabeça dela, os olhos fixos na coroa de seus cabelos. Levantou a mão grossa, as pontas dos dedos esfregando impiedosamente as mechas soltas de suas têmporas. Então, deslizou o toque ardente para a carne sensível atrás de suas orelhas. Pelos atos de posse contínua, Sebastião sabia que aquele era o ponto fraco que a desmoronava.

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