O rosto pálido e escandaloso congelou como gesso partido:
— Você é algum aborto mal concebido em hospício? Tem o sujo de onde para envenenar os fatos?!
Luana rebateu, seca:
— O passo de meu sapato na poeira imunda não acontece sem ter você acorrentada às grades primeiro.
O dedo arrancou à força os confins pretos e luminosos do vidro arranhado; a tortura gravada afundou na retina do alvo desesperado.
Na tela, as luzes frias da prata noturna despencavam nos ossos finos das mandíbulas de uma assombração rastejando no corredor fúnebre. O objeto assassino era aberto, a dosagem roubada por garras manchadas de engano e falsificada por toxinas pálidas com uma exatidão mortal de uma mera faxineira podre.
Engolindo as imagens cruas do carma, a jovem diminuiu as pupilas fétidas de ameaças mortais:
— A forca vai cair sobre quem primeiro com isso na sua unha?
A ferida morta da Luana retorcia em um carinho de navalha fúnebre sob as fendas frias.
E cuspiu num assobio fantasmagórico:
— As queimas curtas dos cabos podiam proteger as cinzas na mansão, mas os magos na internet que comprei pagam com a tua destruição no fim. Se isso afundar num escrivão de fardas de lixo da polícia, a acusação violenta de Lacerda vai voar num segundo pela podridão homicida de sua raiz.
Sangue saltou do dente perfurado e amaldiçoado; não cuspiu nada da mordaça.
Abocanhando o tempo negro, Luana empunhou:
— Qual monstro cravou a pata nisso contigo?!
O líquido rubro se abriu nas bochechas flácidas, a morte se divertindo num desdém enojante:
— Almeja o crânio dos tubarões?!
Sobrancelha cerrada como cordas forjadas:
— Até as cinzas caírem, sim.
Paloma retrucou num suspiro profano:
— Luana... enxergou os cães virtuais uivando sob a escuridão da ‘órfã inútil dos Ramos’ da rede pública semana passada?
A artéria oca vacilou.
— Dedos de demônios foram seus também?
A insanidade submersa cantou em júbilo:
— Que atrevimento ocioso num túmulo já exposto! Pelo homicídio engolido aos berros perante o veneno covarde nas correntes sanguíneas da Sra. Lemos; quanto de sol vai avistar pela janela gradeada nos seus últimos suspiros condenados, Paloma Alves?
Um ronco convulsivo do abismo rompeu-a sob as vértebras quebradiças. Gritos agonizantes mesclados nas lágrimas rasgadas ecoavam um humor grotesco:
— Se a carceragem tragar a minha cova, os ossos insanos que tu abandonou nas ruas secarão no nada! O quanto tu avalias os drenos dos hospícios custando rios inteiros nas madrugadas nojentas do mês?!
Os calafrios doerão as linhas desvanecidas.
— Falhas nos verbos outra vez.
Arrancando o delírio, o espectro do desespero sussurrou afiado:
— Por que a guerra estilhaçada queimaria na lenha? Rancor doentio também afogado por esse buraco. Neusa Barbosa engoliu meu sangue inteiro sob uma opressão fúnebre; e tu amarrando sua vida à beira do colchão terminal por um resto de afeto num ser sem alma?! Sebastião Mendes pisou nos teus lábios mortos milhões de noites em repúdio, a sua obsessão de cão cadela fêmea viciada não esgotava sua podridão humana num nojo escarnecido do seu leito amaldiçoado!
Unhas quebraram à pele branca.
— Feche a sepultura da tua língua.
Paloma gritou na explosão fúnebre:
— Gritos sem fim te cegarão, pois os tecidos apodrecidos nas costas já clamam que Márcia e Luciano Ramos repudiam os dejetos dos teus cromossomos sem genética neles. Quando Rosalía Mendes armou uma traição sangrenta num engano de lençóis escusos e fecundou mentiras na cama de Lélio Barbosa... A semente podre que enchia as vísceras de Márcia se rasgou nos pavimentos de uma lataria colidida com o fim prematuro e esmagamento trágico. Para amarrar a mente arruinada nas nuvens da amnésia delirante... a cota inútil tirada nas incubadoras alheias puxou ao próprio Luciano os rastros do abismo a fim de cobrir o feto natimorto num choro mudo de órfãos aleatórios e do nada. A mãe que perdeu o bebê ficou com o coração destruído e seguiu aquele homem por anos sem qualquer status real, enquanto a desgraça os dividia perante as pressões aristocráticas que as aniquilava para as valas; O lixo insano do asilo jogou a criatura arruinada a mendigar os golpes amargos das ruas num drogado morto pelo vômito químico e finalmente caiu num fim escuro parindo o meu útero quebrado para amarrar nos caixotes aos cacos! Um seriado fúnebre das minas dos vermes onde o enredo maldito nunca vai perdoar tua carcaça impura em substituição!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...