Logo, o criado conduziu Cristiano Jardim para dentro.
Tom se adiantou para recebê-lo:
— Sr. Jardim.
Dona Beatriz e Clara também se aproximaram, agradecendo:
— Ainda não tivemos a chance de agradecer ao senhor pelo que fez pelo Caio...
Cristiano mantinha uma expressão indiferente e não fez comentários a respeito. Ignorando o cumprimento de Tom, declarou friamente:
— Para ser sincero, vim hoje para tratar do assunto da Renata.
Ao ouvirem isso, as feições dos três congelaram.
Tom foi o primeiro a reagir. Recolhendo a mão com certa rigidez, franziu a testa e disse:
— Sr. Jardim, eu não me recordo de você ter qualquer tipo de relação com a Renata...
Dona Beatriz cerrou os dentes para conter a raiva, e Clara também estava furiosa.
Cristiano respondeu com frieza:
— Se eu tenho ou não relação com ela, não é da conta de vocês.
Imediatamente, os rostos de todos mudaram de cor.
Dona Beatriz não conseguiu se conter:
— Sr. Jardim, creio que você saiba da condição em que o Caio se encontra. A Renata machucou o meu filho, como eu poderia deixá-la em paz?
Clara acrescentou:
— É verdade! Sr. Jardim, acredito que, se a sua namorada fosse agredida, você também não aceitaria ver quem a machucou sair impune!
Aquele comentário acidental atingiu direto no ponto fraco de Cristiano.
Ele deu uma risada gélida:
— Você tem toda a razão...
Ouvindo isso, os membros da família suspiraram aliviados, e Dona Beatriz até ordenou ao criado que servisse chá para ele.
— Não é necessário!
Cristiano a interrompeu com um tom de voz áspero.
Completamente sem expressão, tirou um documento e o entregou a Tom, dizendo:
— Quanto ao assunto da Renata, imagino que saibam melhor do que ninguém quem está com a razão e quem não está. Não vou me dar ao trabalho de repetir. ... Sobre soltá-la ou não, tomem a decisão depois de lerem este documento.
Tom olhou para a pasta preta de couro com uma hesitação sutil, pressentindo algo terrível, e demorou a pegá-la. Ao abri-la, seu olhar fixou-se na primeira página.

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