Era como se, nos olhos dele, houvesse apenas ela.
Renata não pôde evitar ficar um pouco atordoada, achando a cena muito familiar, como se já tivesse visto ele caminhando em sua direção sob os olhares atentos de todos, em algum momento no passado.
O pensamento absurdo surgiu.
Renata corou, inevitavelmente.
Ela pensou que devia estar sofrendo de alucinações! Bastava se aproximar de Cristiano Jardim para começar a fantasiar coisas.
Cristiano se aproximou, lançou um olhar para a bolsa de lona que ela segurava, e perguntou o óbvio:
— Veio trabalhar aqui?
Renata concordou levemente, com um sorriso.
— Sim, Sr. Jardim, o senhor veio para uma reunião de negócios, certo?
Na verdade, não. Ele havia ido especialmente para vê-la.
Foi o que Cristiano pensou consigo mesmo.
Olhando para o rosto sereno dela, ele respondeu:
— Sim, tenho uma parceria para discutir por aqui.
Renata assentiu, com um pouco de receio de olhar em seus olhos. Ela estava preste a dar uma desculpa para ir embora, para não lhe causar problemas caso fossem vistos.
O homem, no entanto, quebrou o silêncio repentinamente:
— Ouvi dizer que você se inscreveu no Grande Prêmio Nacional de Design.
Renata travou, deduzindo que ele devia ter visto a notícia na internet. Explicou, de forma um pouco pálida:
— Na verdade, não sou o que a internet está falando...
— Eu sei, acredito que você não é esse tipo de pessoa.
Renata olhou para ele, atônita. Os seus olhos arderam repentinamente...
Ela abaixou os olhos de imediato, e adotou um tom bastante leve para responder:
— Obrigada!
Cristiano, vendo-a se fazer de forte, sentiu o coração apertar. Teve vontade de abraçá-la. Seu bem mais precioso, sendo alvo de tamanha injustiça.
Mas, lembrando-se de que os fatos daquele ano ainda não haviam sido devidamente esclarecidos.
Ele conteve-se arduamente e, com cuidado, retirou um álbum de fotos de sua pasta, entregando-o a ela como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— O concurso não é depois de amanhã? Trouxe um presente, talvez sirva de inspiração para você.
Renata voltou a si de repente, com o rostinho pálido. Sentindo-se desconfortável, e, como que enfeitiçada, acabou abrindo o álbum.
Naquele momento, o seu coração acelerou inexplicavelmente, incontrolável, como se algo estivesse prestes a arrebentar o seu peito.
O sentimento ficou ainda mais intenso ao olhar as fotos dentro do álbum.
A sua visão deparou-se com a foto de um céu estrelado. Na noite imensa, um rio de estrelas fluía, magnífico... era lindo demais!
Ao observar aquilo, algo mais cruzou a sua cabeça de novo.
[Amor, se você gostar, podemos vir aqui todo ano, o que acha?]
[Sim! Com você ao meu lado.]
[...]
Zumbidos soavam nos ouvidos de Renata.
Como se algo tivesse explodido estrondosamente dentro da sua cabeça.
O seu rosto ficou completamente branco de forma abrupta.
Os seus dedos, que seguravam o álbum, começaram a tremer levemente. Ela fechou os olhos mais uma vez, tentando buscar a lembrança daquelas vozes com atenção...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...