Porém, toda vez que estava prestes a capturar o timbre daquelas vozes, sua cabeça começava a latejar de dor...
Com um estalo, o álbum caiu no chão.
Sem suportar, ela curvou levemente o corpo, soltando gemidos de dor.
Ela não sabia o que estava acontecendo consigo mesma. Sentia-se completamente zonza, como se tivesse sido afundada na água de forma violenta e puxada de volta. Era algo sufocante!
Vendo isso, o coração de Cristiano saltou na mesma hora. Ele avançou sem pensar, estendeu os braços para segurá-la pelos ombros, deixando que se apoiasse em seu ombro, e perguntou em voz baixa e preocupada:
— Renata, o que houve? Onde dói?
Ao ouvir a voz, Renata tremulou os cílios, caindo em torpor novamente. Achou que essa voz soava muito parecida com a voz que havia passado por sua mente.
Mas como isso seria possível?
Renata fechou os olhos e se recompôs. Achou tudo muito absurdo. Massageou as próprias têmporas, ergueu-se de seu abraço, e disse:
— Eu devo estar com hipoglicemia, me deu tontura e dor de cabeça...
Ela concluiu que tudo se devia aos altos e baixos emocionais daqueles dias, além do cansaço e da má alimentação. Devia ser realmente hipoglicemia causando alucinações.
De fato, episódios assim já haviam acontecido antes. No ano passado, ao terminar um projeto grande e ir para o retiro da empresa em Bali com os colegas, a visão do mar cristalino de Bali também provocara esse tipo de alucinação.
Mas daquela vez foi mais leve, passando em poucos segundos, e agora, levou mais tempo para ela se recuperar.
Ela pensou que tinha desgastado a sua mente demais recentemente. Assim que a competição terminasse, tiraria um bom descanso!
— Me desculpe, Sr. Jardim, por passar vergonha na sua frente.
Renata deu um passo para trás.
Um traço de desapontamento passou pelo rosto de Cristiano. Ele, instintivamente, tentou alcançá-la com as mãos, mas logo as recuou, sem graça, e fechou-as frouxamente em punhos ao lado do corpo.
Ele sabia que o episódio se deveu ao estímulo de ver coisas familiares. Não tinha nada a ver com a tal de hipoglicemia.
O médico disse que era bom haver essas reações. Isso provava que ela não se esquecera do seu passado, e que sua fixação era profunda. Bastava persistir, que cedo ou tarde, ela se lembraria de tudo.
Exatamente. Persistir.
Essas palavras eram o que mantinham Cristiano de pé.
Cristiano abriu as mãos lentamente. Com um sorriso afável, ele disse a Renata:
— Não tem problema. Pode voltar, descanse bem, e cuide-se.
Renata acenou com um sorriso:
— Farei isso. O senhor também, Sr. Jardim.
E, de repente, se lembrando de algo, ela se abaixou apressadamente para pegar o álbum do chão, e disse com vergonha:
— E quanto ao álbum...

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