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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 266

Porém, toda vez que estava prestes a capturar o timbre daquelas vozes, sua cabeça começava a latejar de dor...

Com um estalo, o álbum caiu no chão.

Sem suportar, ela curvou levemente o corpo, soltando gemidos de dor.

Ela não sabia o que estava acontecendo consigo mesma. Sentia-se completamente zonza, como se tivesse sido afundada na água de forma violenta e puxada de volta. Era algo sufocante!

Vendo isso, o coração de Cristiano saltou na mesma hora. Ele avançou sem pensar, estendeu os braços para segurá-la pelos ombros, deixando que se apoiasse em seu ombro, e perguntou em voz baixa e preocupada:

— Renata, o que houve? Onde dói?

Ao ouvir a voz, Renata tremulou os cílios, caindo em torpor novamente. Achou que essa voz soava muito parecida com a voz que havia passado por sua mente.

Mas como isso seria possível?

Renata fechou os olhos e se recompôs. Achou tudo muito absurdo. Massageou as próprias têmporas, ergueu-se de seu abraço, e disse:

— Eu devo estar com hipoglicemia, me deu tontura e dor de cabeça...

Ela concluiu que tudo se devia aos altos e baixos emocionais daqueles dias, além do cansaço e da má alimentação. Devia ser realmente hipoglicemia causando alucinações.

De fato, episódios assim já haviam acontecido antes. No ano passado, ao terminar um projeto grande e ir para o retiro da empresa em Bali com os colegas, a visão do mar cristalino de Bali também provocara esse tipo de alucinação.

Mas daquela vez foi mais leve, passando em poucos segundos, e agora, levou mais tempo para ela se recuperar.

Ela pensou que tinha desgastado a sua mente demais recentemente. Assim que a competição terminasse, tiraria um bom descanso!

— Me desculpe, Sr. Jardim, por passar vergonha na sua frente.

Renata deu um passo para trás.

Um traço de desapontamento passou pelo rosto de Cristiano. Ele, instintivamente, tentou alcançá-la com as mãos, mas logo as recuou, sem graça, e fechou-as frouxamente em punhos ao lado do corpo.

Ele sabia que o episódio se deveu ao estímulo de ver coisas familiares. Não tinha nada a ver com a tal de hipoglicemia.

O médico disse que era bom haver essas reações. Isso provava que ela não se esquecera do seu passado, e que sua fixação era profunda. Bastava persistir, que cedo ou tarde, ela se lembraria de tudo.

Exatamente. Persistir.

Essas palavras eram o que mantinham Cristiano de pé.

Cristiano abriu as mãos lentamente. Com um sorriso afável, ele disse a Renata:

— Não tem problema. Pode voltar, descanse bem, e cuide-se.

Renata acenou com um sorriso:

— Farei isso. O senhor também, Sr. Jardim.

E, de repente, se lembrando de algo, ela se abaixou apressadamente para pegar o álbum do chão, e disse com vergonha:

— E quanto ao álbum...

Ele próprio não sabia que tinha tanta paciência com ela.

Pena que, depois de gastar tanta paciência, o que ele testemunhou foi essa cena!

Nesse exato instante, pela vitrine de vidro da casa de chá, na rua lá fora.

Wilson estava com um sobretudo preto, de uma indiferença altiva.

Ele se apoiou na carroceria do Bentley, acendeu um cigarro, e ficou olhando fixamente, acompanhando cada movimento deles, lá de dentro.

Ele a viu sorrir para outro homem, viu ela aceitando o presente de outro homem, a viu...

Ele parou para refletir: Durante os últimos dias, ela tinha sorrido para ele de forma tão gentil?

A resposta era não!

Os dedos de Wilson, que seguravam o cigarro, tremeram. Ele tragou, de cara amarrada, depois jogou a cabeça levemente para trás e expeliu a fumaça. Seu pomo de Adão áspero, continuava rolando para cima e para baixo...

Ele subitamente se sentiu muito desconfortável.

Quando Renata saiu da casa de chá e viu o homem apoiado na escuridão, ela estagnou levemente...

Wilson também a notou.

Os dois se olharam e, naquele instante, o silêncio era mais retumbante do que o som. Os dois sabiam exatamente o que passava na cabeça do outro!

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