"Dante"
Eu fechei a porta da suíte com um estalo seco e girei a chave na tranca, nos isolando do resto do mundo. Quando me virei, a Valentina já estava indo em direção ao closet com o blazer na mão e com os cabelos bagunçados.
Eu cruzei a distância entre nós com passos rápidos e a puxei pela cintura, a prensando contra a parede e a prendendo ali com o meu corpo e no segundo seguinte nós estávamos nos beijando como se as nossas vidas dependessem disso.
Nossos corpos conversavam em um idioma que só nós dois entendíamos. Pouco a pouco as nossas roupas começaram a ir para o chão, até que ela ficou apenas de lingerie e eu com a calça aberta. As minhas mãos sabiam exatamente onde tocá-la e o meu corpo ardia por ela. Eu estava no limite.
- Dante, Dante... - A Valentina chamou ofegante. - É melhor você ir tomar um banho. Você está...
- Desesperado para sentir você! - Eu declarei, beijando o ombro dela.
- Nós não podemos, Dante! Eu não vou arriscar. Eu quero o máximo de tempo que eu puder ter com você. - Ela colocou as mãos no meu peito e me afastou gentilmente, me fazendo olhar para ela. No seu rosto havia uma súplica urgente e uma dose de tristeza.
- Valentina, e se o médico estiver errado e isso não me matar? E se eu puder controlar as batidas do meu coração? Eu estou louco por você, eu quero estar com você por inteiro. - Eu supliquei e ela me encarou quase em lágrimas.
- Eu também quero! Mas eu também quero acordar com você, quero que você segure a minha mão na clínica de fertilização, quero que você realize os meus desejos loucos de grávida... quero que você conheça o nosso filho! - Ela colocou a mão no meu rosto. - Eu sei que é difícil e doloroso, para mim também é, mas eu ainda não estou pronta para arriscar todas as coisas lindas que nós podemos viver juntos por alguns segundos de coração acelerado.
Os olhos dela derramavam uma súplica e uma dor que me atingiu em cheio. Ela tinha total razão, nós éramos mais do que aquela luxúria que me queimava, o que estávamos construindo era muito maior do que cinco minutos de prazer. Eu dei um beijo longo na testa dela e me afastei.
- Você tem toda razão, Valentina! Eu quero todas as manhãs que eu puder ter com você e com o nosso filho. - Eu fechei os olhos, a minha testa grudada na dela, o calor dos nossos corpos ainda se misturando. Nós ficamos ali por um tempo, até que eu me afastei. - Eu vou tomar um banho.
Quando eu saí do banheiro, a Valentina passou por mim com um sorriso doce, seus dedos resvalando nos meus. Ela entrou e fechou a porta. Quando ela saiu de lá, vários minutos depois, ela usava um conjunto de moletom grande demais para ela e tinha os olhos ainda vermelhos. Ela chorou... por mim. E ela estava tentando se esconder... por mim. E eu sabia o quanto ela detestava se esconder. Eu estava sentado na cama e estiquei a minha mão para ela. Ela caminhou até mim e eu a puxei para a cama, a prendendo em um abraço silencioso e beijos suaves em seu cabelo. Aos poucos ela foi relaxando.
Nós ficamos ali deitados, imersos em uma intimidade agradável. Ela apoiou a cabeça no meu peito nu, traçando linhas invisíveis nos meus músculos com a ponta dos dedos, enquanto eu brincava com o seu cabelo. Infelizmente eu sabia que precisava aproveitar aquele momento de tranquilidade para contar a ela que eu precisava viajar.

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