"Valentina"
Depois que a Tati me soltou o Murilo se aproximou, segurou a minha mão e deu um beijo solene no dorso e me entregou uma sacola enfeitada recheada de chocolates finos. Eu fiquei emocionada com todo o cuidado que estava recebendo, eu não estava acostumada a ter tanta gente cuidando de mim e preocupada com o meu bem estar. Geralmente, se eu ficava doente, eu tinha que me virar, então eu ia para o estúdio e a Tati cuidava de mim. Mas estar cercada por aqueles três preocupados em me manter segura era uma novidade bem vinda.
- Eu vou pedir para a D. Marta pegar a sua mala e te mostrar o seu quarto, Tatiana. - O Dante estava se virando para pegar o celular, mas a Tati o interrompeu.
- Nem se dê ao trabalho, Montenegro. Eu estou aqui para cuidar da Tina, isso significa que eu vou dormir na sua cama com ela. E vou remexer em todas as suas coisas! Quando você voltar dessa viagem eu saberei até a cor de cueca que você usa e se guarda um segredo vergonhoso no fundo do armário. - A Tati deu um sorriso grande para o Dante.
- Para a sua decepção eu não tenho um segredo grande e vergonhoso, Tatiana. - O Dante riu do estreitar de olhos dela. - Cuide da Sra. Montenegro na minha ausência, a mantenha segura e feliz e eu não vou me importar que você remexa em tudo. O Murilo também estará de olho nas necessidades de vocês, se surgir qualquer problema ligue para ele imediatamente.
- E você se importa se eu atazanar a perua enfeitada que está empoleirada no seu sofá? - A Tati perguntou se referindo a Aurélia. - Ela quase desmaiou quando me viu entrar.
- Fique à vontade para implicar com os demais moradores da casa. - O Dante riu.
- Ah, isso vai ser muito divertido! - A Tati declarou esfregando as mãos. Eu era explosiva, mas a Tati era maquiavélica, ela premeditava, esperava calmamente e então dava o bote certeiro.
- Talvez eu devesse me instalar no quarto de hóspedes. - O Murilo riu.
- Não é má ideia, Murilo. Se quiser, você sabe que aqui é sua casa. - O Dante concordou.
- Não confia em mim, poderoso patrão? - A Tati começou a fazer drama.
- Confio, Tatiana, mas não subestimo os agregados. - O Dante estava rindo. - Bom, vocês decidem. Agora eu preciso ir. - Ele se virou para mim e me puxou para um abraço.
Eu não queria que ele fosse, mas eu não ia passar recibo de mulher grudenta e emocionalmente dependente, até porque eu não era assim, mas eu estava me sentindo vulnerável e ele me fazia sentir segura. Ele segurou o meu queixo com os dedos firmes e fixou os olhos nos meus, me lembrando da sua promessa.
- Eu preciso, Encrenca, mas no sábado eu estarei de volta para você. E eu vou te ligar todos os dias. - Ele sussurrou, a sua respiração quente roçando a minha pele e me causando arrepios.
Ele me deu um beijo longo nos lábios e saiu do quarto a passos rápidos seguido pelo Murilo.
Eu fiquei deitada de lado, com a Tati sentada ao meu lado me fazendo carinho nos cabelos. O silêncio era tão grande que, da porta aberta da sacada da suíte, eu escutei o eco do motor do carro do Dante dando a partida, o levando para longe de mim. Eu senti um aperto doloroso e um nó de medo no peito. Ele ia viajar sozinho e se ele passasse mal, quem ia ajudá-lo? A preocupação sufocou a minha garganta ao perceber que ele não teria ninguém para cuidar dele.
Mas eu não tive muito tempo para me preocupar. Poucos minutos depois que o Dante saiu a porta do quarto foi empurrada sem a menor cerimônia. A Aurélia entrou e trancou a porta atrás de si, com um ar de superioridade irritante.
- Que invasão é essa? - Eu gritei, mas ela não se abalou.

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