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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 113

"Valentina"

Nós caminhamos em fila em direção à portaria principal. Eu marchava de braços dados com a Tati, ladeada pelo Murilo que parecia muito tenso, e com o Fausto atrás de mim.

- Valentina, o que você vai fazer? Pensa na fertilização, não se desgaste. - O Murilo sussurrou para mim e eu parei para encará-lo.

- Dornelles, eu não vou deitar para esse vagabundo pisar em mim de novo. - Eu avisei com um tom firme. - O Aroldo, a filha dele e a mulher não prestam e agora brotm na minha frente me chamando de monstro? Não! Eu vou mostrar para eles e para essa cidade inteira quem é a Valentina Torres Montenegro! Eu não sou uma mulher sensível e indefesa e não vou fingir ser uma. E quem não gostar, pega a senha e entra na fila. - Eu me virei e segui em frente.

Quando pisamos do lado de fora do prédio, o tumulto no portão se intensificou, repósteres afobados tentando conseguir alguma coisa e a família Camargo gritando. Era caótico, como se estivéssemos diante do fim do mundo. Nós fomos nos aproximando do portão em silêncio. O Aroldo estava com o rosto vermelho de ódio, sacudindo as grades do portão, ao lado dele a Marli e a Agatha choravam, enquanto três repórteres com microfones estendidos apontavam as lentes das câmeras diretamente para mim, transmitindo o escândalo ao vivo.

Eu mantive o queixo erguido e a expressão suave, deixando que o mantra do Murilo se instalasse no meu sangue. Eu era a personificação da calma e da suavidade por fora.

Os meus seguranças estavam posicionados em frente ao portão, para conter um eventual "estouro da boiada". O Fausto parou bem no meio do portão à minha frente, fazendo sinal para que eu mantivesse uma distância de dois passos.

O Aroldo não perdeu tempo e já começou a esbravejar:

- Olha ela aí! Assistam ao vivo, meus amigos da imprensa! - O Aroldo gritou, apontando o dedo na minha direção. - Aí está a Valentina Montenegro, a órfã ingrata que nós criamos por caridade e que agora quer me tirar tudo, até a minha própria mãe ela sequestrou, está mantendo uma idosa indefesa em cárcere privado dentro dessa prisão de luxo, fazendo "alienação maternal", só para roubar a aposentadoria dela! Eu exijo que a polícia arrombe esses portões e liberte a minha mãe!

Os repórteres se inclinaram sobre o portão, disparando perguntas ruidosas e sufocantes.

Eu abri um sorriso lento, dócil e muito confiante. A Tati parou ao meu lado cruzando os braços com um olhar presunçoso de puro divertimento. Eu ergui a mão com elegância, pedindo silêncio aos repórteres, e comecei a falar em um tom baixo, pausado e educado que forçou todos os microfones a serem enfiados entre as grades.

- Bom dia aos profissionais da imprensa e a todos que estão assistindo a este teatro deprimente em rede nacional. Eu realmente sinto muito por isso! - Eu comecei, a minha voz calma e suave transformando o Aroldo num desequilibrado. - É realmente um espetáculo interessante ver o meu tio, o Senhor Aroldo Camargo, marchar até a calçada de uma residência de longa permanência para posar de filho zeloso perante as câmeras. No entanto, já que o meu tio insiste em abrir o inventário da nossa família em público, vamos colocar todas as verdades em evidência.

- Verdades? Você nunca fala a verdade, sua ingrata! - A Marli gritou.

- É o que a senhora diz, mas a senhora sempre me detestou, então acho que a sua opinião não é muito relevante. - Eu falei com um meio sorriso. - O Sr. Aroldo diz que eu sequestrei a minha avó, mas ele sabe que isso é mentira. Vocês devem ter visto o vídeo que ela mesma gravou e postou na internet, surpreendendo a mim mesma...

- Você é um monstro, Valentina! - A Agatha proclamou. - A vovó nem sabe usar um celular. Você obrigou a vovó a gravar aquilo.

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