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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 115

"Valentina"

A calmaria que se instalou na mansão na manhã de quinta era muito bem vinda, embora não me convencesse de que estava tudo sob controle. Os jornalistas ainda se espremiam no portão da casa e na entrada da holding tentando conseguir uma entrevista, mas pelo menos a Aurélia e o Otto pararam de sorrir como hienas. Claro que eu não duvidava de que eles estivessem apenas tramando o próximo ataque. Só que eu não estava me importando, pessoas como eles e como os meus parentes, estavam sempre tramando a próxima maldade e a única coisa que eu podia fazer era estar preparada para o próximo golpe.

Mas nessa manhã de quinta feira eu tinha a minha própria tempestade na minha cabeça. Uma tempestade que não tinha nada a ver com as manobras imbecis dos meus tios, mas sim com o silêncio mortal do meu celular sobre a mesa. O meu mau humor estava no ápice e, como se percebessem isso, o Otto e a Aurélia se retiraram assim que eu pisei na sala de jantar para o café da manhã. Talvez o fato de eu estar bufando de irritação tenha dado uma pista a eles de que era melhor não insistir em me provocar.

- O que foi, Tina? Você deveria estar feliz que o problema criado com a Agatha está sendo resolvido, mas eu estou vendo você cada vez mais irritada. - A Tati perguntou baixo ao meu lado quando eu terminei de tomar o café, bati a xícara no pires com um pouco de força demais e estalei a língua.

- Vamos para o escritório. - Eu me levantei sem me importar em fazer barulho ao arrastar a cadeira. A Tati mal tinha fechado a porta quando eu disparei a falar. - Dá para acreditar, Tatiana? Mais de sessenta horas! Isso é mais que dois dias e meio! - Eu desabafei em alto e bom som, a minha irritação era nítida. - O mauricinho viajou na segunda feira à tarde sozinho para o exterior a trabalho, pelo menos foi isso que disse, e até agora não teve a gentileza de me ligar. Eu passei pelo procedimento definitivo do implante de embrião da fertilização, fui bombardeada por um cancelamento virtual nacional, enfrentei aqueles três demônios na calçada na frente das câmeras de TV ao vivo, e o Dante Montenegro não enviou nem a porra de uma mensagem de texto para saber se a esposa dele ainda está respirando! E isso porque supostamente ele se importa comigo. Que caralho! Ele jurou no meu ouvido na cama que me ligaria todos os dias! Agora me diz, Tatiana, que merda esse mauricinho está fazendo que não tem cinco minutos do dia ou da noite para fazer uma ligação para a mulher que ele quer engravidar?

A Tati deu uma gargalhada alta de puro divertimento, jogando as pernas perfeitas por cima do braço da poltrona com total irreverência.

- Calma, Tina! Não viaja na maionese, amiga! - A Tati continuava rindo da minha irritação de esposa carente. - O poderoso patrão deve estar no limite do estresse, focado na maratona de reuniões que o Lilo falou que ele tinha lá em Boston. Você mesma disse que quando ele entra no modo robô executivo ele se desliga do mundo. O homem esquece até de respirar, quem dirá de olhar aplicativo de mensagem.

- Calma, Tatiana? Sério? Eu não sou qualquer uma, não. Ele é o meu marido e eu estou muito provavelmente grávida dele agora! - Eu tencionei o maxilar, cruzando os braços sobre a camisa preta que estava usando, sentindo o meu peito se apertar com um nó de agonia que eu detestava sentir. - E todas as vezes que eu tentei ligar caiu na caixa postal. Eu só queria ouvir a voz daquele safado me dizendo que tudo vai ficar bem. Só uma palavra de apoio. Mas não, sumiu no Atlântico sem deixar rastro. Cachorro safado, eu aqui preocupada com ele, preocupada se ele está se sentindo bem, enquanto ele deve estar enfiado em alguma boate pegando mulher. Porque ele não pode usar a parte abaixo da cintura, mas aquela boca ele usa que é uma maravilha!

A Tatiana deu outra gargalhada sonora e com um divertimento que me fez ter vontade de torcer o pescoço dela. Era para a minha amiga supostamente estar puta da vida com o meu marido, só para ser solidária comigo.

Três batidas firmes na porta e a minha paciência desceu pelo ralo.

- Quem incomoda? - Eu gritei e foi aberta uma frestinha na porta.

- Posso entrar, Tininha? - O Murilo perguntou com a voz mansa. Ele era outro, eu podia apostar que estava acobertando o amigo.

- Entra logo, Dornelles! - Eu bufei e assim que ele entrou eu o prensei contra a porta, o segurando pelo colarinho. - Me diz a verdade, Dornelles, que merda o Dante foi fazer em Boston ou na puta que pariu, sei lá?

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