"Valentina"
Assim que o Conselheiro Malta e a sua filha Carmela se afastaram, o Dante me olhou tentando disfarçar o nervosismo, mas eu sabia que a mente dele estava girando sobre como me explicar aquela cena. Mas ele não conseguiria explicar porque ficou tão nervoso com a presença daquela mulher, não sem contar uma mentira e eu não queria a sombra de uma mentira entre nós.
- Valentina, a Cermela é... - Ele começou a falar baixo assim que nos sentamos, mas eu o interrompi.
- A Carmela é sua ex-namorada. O passado b**e à porta, Sr. Montenegro. Mas o presente está bem diante de você e o futuro... - Eu me virei para encará-lo. - O futuro você ainda pode escolher. O que você não pode escolher é ignorar a cláusula de fidelidade. Lembra dela? Pois então, ela é inegociável. E eu só quero te lembrar que quem tem obrigação de cumpri-la é você. A fulaninha Malta pode tentar o que ela quiser, mas foi você quem assinou um contrato comigo, por isso, dela eu não espero nada e eu sei que ela vai insistir, mas eu espero que você saiba se comportar como um homem casado, pelo menos enquanto este anel estiver no meu dedo! Mas como eu disse, o futuro você ainda pode escolher.
- Eu já escolhi, Valentina! Esse anel não vai sair do seu dedo. - Ele respondeu com firmeza.
- Então saiba se comportar como um homem casado ou eu esqueço o "chá e simpatia" que esse evento está exigindo de mim. - Eu avisei.
- Você pode esquecer qualquer coisa, Encrenca! Eu não ligo se você colocar fogo nesse salão. A única coisa que você não pode esquecer é a surpresa que me prometeu. - Ele passou os braços ao meu redor, me puxando mais para perto e beijou o meu rosto.
- Eu disse se você se comportar e depois da fulaninha Malta... tenho minhas dúvidas.
- Estou gostando de ver. A minha esposa tem ciúmes de mim.
- Dante, não me provoca! - Eu avisei, mas já estava sorrindo para ele.
As horas que se seguiram foram mais gente querendo falar com o Dante, enquanto eu sorria e respondia para as madames que era uma professora de dança e meu estúdio seria reinaugurado em breve. A curiosidade geral era onde a esposa do Dante Montenegro dançava. A Aurélia não tinha perdido tempo, ela fez circular entre toda aquela gente a notícia de que eu era dançarina de cabaré e umas três senhoras me perguntaram abertamente. Eu tinha preguiça de ter que explicar, mas eu tinhame comprometido com o Dante e não poderia simplesmente deixar de esclarecer as coisas. Aquilo parecia um loop infinito e eu estava já repetindo palavras decoradas, quando a minha avó tocou sutilmente o meu braço e eu me virei para ela.
- Tininha, já está tarde para mim, a vovó já está com as pernas cansadas, eu vou voltar para a minha casa, o Fausto disse que vai me levar. - A minha avó avisou e se levantou, me puxando para um abraço apertado de despedida. Mas assim que colou o seu rosto no meu, ela aproveitou o barulho da orquestra e deixou um aviso sussurrado direto no meu ouvido: - Fique de olho no seu marido, Tininha, porque aquela ex-namorada não tem nenhuma boa intenção é o tipo de mulher que não se importa em destruir o que é dos outros. Escute a vovó!
Eu engoli em seco, a minha avó tinha toda razão e eu sabia que a Carmela ia ser um problema, mas eu estava confiando que o Dante a manteria a distância.

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