"Valentina"
A fulaninha Malta tinha desaparecido das minhas vistas, mas a fúria ainda queimava sob a minha pele, mesmo enquanto o Dante tentava me amolecer com os seus gracejos. Depois de mais duas músicas eu quis voltar para a mesa, mas assim que nos sentamos, dois senhores se aproximaram e puxaram uma conversa de negócios. Eu me levantei para ir ao banheiro, mas o Dante segurou o meu pulso e quando eu me virei, ele me olhava com uma interrogação nos olhos, então eu sorri e me aproximei dele.
- Eu vou ao toillete, Montenegro, se mantenha a metros de distância daquela fulana e se comporte ou eu acabo com essa festinha em grande estilo. - Eu falei baixo em seu ouvido, mas aparentemente ele não me levava a sério, pois deu um beijo abaixo da minha orelha e quando eu me afastei ele estava sorrindo.
Eu ergui o queixo e atravessei o salão a passos rápidos direto para o luxuoso banheiro social, eu precisava de um momento longe de todo aquele barulho da festa.
Parei em frente ao espelho, abri a torneira e joguei um pouco de água fria nos meus punhos e na nuca, tentando conter a irritação persistente que estava destruindo o meu humor. Eu ainda tentava respirar fundo de olhos fechados, mantendo o mantra do "seja calma e suave" quando a porta de madeira foi empurrada com força. Ao abrir os olhos, eu me deparei com a Agatha parando ao meu lado. Era claro que ela estava esperando a oportunidade.
- Você se acha muito esperta, não é, Valengorda?! - A Agatha esbravejou de forma histérica, as narinas dilatadas enquanto apontava o dedo na minha direção. - Você está muito confiante com o apoio do Dante Montenegro! Mas você não vai reinar nesse castelinho de rico por muito tempo. Você nem deveria estar onde está. Olha pra você, você nem deveria sair de casa pesando como um elefante. Deveria se esconder e só aparecer em público depois que emagrecer uns cem quilos. Eu vou infernizar a sua vida, Valengorda! Eu vou gravar um vídeo todo dia e postar nas redes sociais, falando pra todo mundo como você é má, uma ingrata que não sabe retribuir a mim e aos meus pais por termos te dado teto e comida. Você nem vai poder sair de casa porque as pessoas vão te odiar. E daqui a pouco, o Dante vai te odiar, vai se cansar de brincar com o bichinho exótico que você é e vai recuperar o bom senso. Mas não se preocupa, prima, quando isso acontecer eu vou estar bem linda lá pertinho dele e ele vai ver como eu sou muito melhor que você.
Eu estava exausta da baixaria crônica da Agatha, eu estava tão cansada que eu nem tinha vontade de responder. Encarei a sua figura naquele vestido horrível com total desdém.
- Ai, Agatha, você é tão cansativa… eu já te disse isso. O seu recalque não me intimida. E quer saber, com você, coisa chata, eu prefiro nem gastar o meu latim.
Tentei passar pela sonsa para sair, mas a Agatha me bloqueou e me segurou firme pelo braço. No exato segundo em que eu ia agarrar os cabelos dela para obrigá-la a me soltar, a porta do banheiro foi escancarada.
- Tira as garras de cima da minha amiga, sua piranha de liquidação, ou eu arranco esse tufo de cabelo minguado da sua cabeça aqui mesmo! - A Tati grunhiu de forma autoritária, desferindo um tapa ruidoso na mão da Agatha que a fez soltar o meu braço. - Eu não vou arrebentar a sua ca'ra dessa vez para não amassar o meu vestido, mas continua se metendo com a Tina para ver se você não passa uma longa temporada no hospital. - A Tati ameaçou a Agatha que estremeceu, ela sabia que não podia contra nós. - Vamos, Tina, o cheiro aqui está podre!
- Acho que agora você entendeu que não vai conseguir estragar a minha noite, não é, Agatha?! Dessa vez nós estamos só te avisando, mas não passa na minha frente de novo. - Eu decretei de queixo erguido e saí do banheiro de braços dados com a minha amiga.
- Eu mandei o Lilo ficar de olho no idiota do seu marido e para não deixar aquela oferecida chegar perto dele. - A Tati me informou quando saímos do banheiro. Mas assim que voltamos para o salão, vimos que o Dante e o Murilo haviam sumido da nossa mesa.
- Que merda, Tati… cadê os dois? Se eu pegar o Dante perto daquela mulher de novo... eu nem sei o que eu faço. - Eu resmunguei enciumada, meus olhos percorrendo o salão a procura do mauricinho safado.

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