"Valentina"
Assim que o Dante e eu colocamos os pés fora do salão de festas, nós demos de cara com a Carmela. A ousadia daquela fulaninha Malta não conhecia limites e nem bom tom. Ela se aproximou, mostrando a boca cheia de dentes para soltar a última provocação da noite. Ela olhou para o Dante e tocou o braço dele com uma intimidade grande demais.
- Queridos, já estão de saída. - Ela olhava para o Dante como se ele fosse dela e falava com a voz melosa. - Dan, eu passo no escritório essa semana para almoçarmos juntos naquele restaurante que eu amo e você me levava sempre.
Eu esperei que o Dante colocasse limite nela, mas aparentemente o meu marido não sabia o que fazer com a atual e a ex em franca colisão.
- Ah, querida, aparece mesmo, eu vou adorar te levar para almoçar. - Eu respondi com um sorriso cínico. - Acho que o seu pai deve ter comentado que eu trabalho na holding, não é?! Divido a sala com o meu marido.
- Isso tudo é insegurança, Valentina? Precisa vigiá-lo o dia todo? - A Carmela se virou para mim, colocando as garras de fora.
- Isso é ser uma pessoa útil e não uma peruazinha mimada que vive gastando o dinheiro do papai. - Eu a encarei já perdendo a paciência e o restinho do meu controle.
- Carmela, espero que você aproveite o final da festa. Agora se nos dá licença. Vamos, Encrenca! - O Dante respondeu e me puxou até o carro que já esperava na calçada.
O trajeto de volta para casa correu sob um gelo insuportável. Eu me sentei encostada na janela, distante dele no banco traseiro, encarando o vidro sem realmente ver a noite lá fora, com o meu mau humor no nível máximo e sentindo como se a minha fera interior fosse me rasgar ao meio para sair e colocar para fora tudo o que estava me oprimindo a noite inteira.
O Dante tentou quebrar o gelo da minha indiferença, abrindo aquele seu sorriso de orelha a orelha atrevido e tentando brincar sobre estarmos "enfim sós".
Eu continuei em um silêncio mortal, remoendo a minha fúria contida a minha dignidade ferida. Se ele achava que aquele sorrisinho bonito e algumas gracinhas poderiam apagar a agonia de vê-lo envolvido por outra mulher na minha cara, ele estava muito enganado
Ele ficou calado o restante do caminho, mas eu sentia os seus olhos sobre mim, e assim que a porta do nosso quarto se fechou, a panela de pressão que cozinhava no meu peito explodiu de vez.
O Dante deu um passo na minha direção, com um ar de quem pretendia mais do que simplesmente ir dormir depois de um evento cansativo, mas eu não passei recibo de frouxa. Quem ele pensava que eu era? Um brinquedo descartável? Ele não ia me tratar daquele jeito. Eu tirei as jóias de esmeralda que ele havia mandado me entregar, segurei a mão dele e coloquei bem na sua palma o colar e os brincos. Depois tirei o anel de noivado e coloquei na outra mão dele e me virei para ir ao closet tirar o vestido.

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