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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 158

"Dante"

O cheiro sutil de álcool da sala de espera de luxo da clínica de fertilidade enevoava a minha mente com a ansiedade de saber se a Valentina estava grávida. Mas também me fazia lembrar dos dias de apreensão dentro do hospital em Boston, o que me levava ao fato de que eu estava guardando um enorme segredo da Encrenca e isso começava a pesar mais do que eu tinha imaginado.

Eu estava sentado naquela cadeira de couro numa manhã de segunda feira, ajeitando o colarinho do meu terno a cada cinco segundos sem conseguir acalmar todos aqueles sentimentos no meu peito. A Valentina havia sido submetida a exames de sangue e nós estávamos esperando os resultados.

Eu nunca havia experimentado algo assim, um desejo tão bruto e desesperado, querer algo que não dependia apenas de mim ou que eu não pudesse resolver. Eu queria aquele filho, com a mesma intensidade que eu queria a Valentina e isso era muito mais do que a minha empresa significava para mim e muito mais do que o meu desejo inicial de arrastar a Aurélia e o Otto para um inferno antes de morrer. Mas agora eu não ia mais morrer, pelo menos não por causa de um maldito tumor que nunca existiu.

- Se mexer de novo nessa gravata eu amarro as suas mãos com ela. - A Valentina falou suavemente, mas eu não duvidei que ela faria.

Ela estava ao meu lado e escorava a cabeça no meu ombro. Minha Encrenca estava perfeitamente quieta, como se estivesse apenas vendo o tempo passar, sem ansiedade, sem medo, sem pressa. Apenas o vinco na sua testa e o leve tamborilar dos seus dedos no meu braço denunciavam o carrossel de emoções no qual ela estava imersa.

Nós estávamos prestes a descobrir se a nossa aventura da paternidade estava chegando ao ponto final ou se estava apenas começando. No meu coração eu desejava muito que o embrião tivesse se fixado com sucesso e segurança total no útero da minha Encrenca.

- Eu não me oponho que você me amarre... na nossa cama! - Eu sussurrei no ouvido dela, que deu uma risadinha maliciosa que foi direto ao meu coração. Eu dei um beijo no topo da sua cabeça sentindo o seu cheiro me acalmar um pouco. - Você sabe que nós podemos tentar pelos meios tradicionais agora, não sabe, Encrenca?! Quero dizer, se o resultado hoje não for o que planejamos, eu posso me dedicar muito a ter um filho com você.

- Você quer dizer que se eu estiver grávida, você está desobrigado de usar os meios tradicionais. - Ela concluiu, desvirtuando completamente o que eu queria dizer.

Eu segurei o queixo dela e a fiz olhar para mim.

- Eu quero dizer que você não precisa entrar em curto, Valentina… seja qual for o resultado eu estou com você. E se for negativo, eu não me importo, eu continuo querendo você e nós podemos ter um filho de forma mais natural ou, se você preferir, nós não precisamos ter um filho até que você se sinta confiante o bastante de que isso entre nós já não é mais por um herdeiro. É por você, é pelo que você faz de mim e eu não quero que pare nunca. Eu quero um filho com você. Mas eu te quero muito além disso! - Eu sussurrei para ela, tentando passar a confiança que eu queria que ela sentisse em mim... em nós.

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