"Valentina"
Eu desliguei o celular com a despedida ruidosa da Tati, ouvindo a voz do Murilo chamá-la ao fundo. Joguei o aparelho na mesinha de cabeceira e soltei um suspiro longo, tentando colocar em ordem a tempestade de emoções no meu peito. Eu estava feliz pela Tati, mas algo me dizia que os dias de paz e sossego do Dante na presidência tinham chegado ao fim. A única certeza que eu tinha daquela situação era que o que quer que ela fizesse eu estaria do lado dela.
Eu dei uma olhada em volta e deixei de lado a reclamação furiosa da minha amiga, ela podia lidar sozinha com o Murilo Dornelles por um dia, mas os meus hormônios não podiam esperar, eles tinham pressa! E eu ia arrancar as calças do Dante antes do anoitecer. Saí da cama e ajeitei a camiseta branca que ele havia passado pela minha cabeça, peguei o sutiã e o vestido descartados no tapete e coloquei dobrados sobre a cômoda, saindo do quarto descalça à procura do Dante.
Eu o encontrei em frente aos balcões de granito escuro da cozinha rústica, concentrado, com uma série de ingredientes espalhados, preparando um sanduíche que parecia delicioso.
O botão da sua calça jeans desbotada continuava desfeito. Era uma cena tão trivial que não parecia real por se tratar do Dante. Ele virou a cabeça por um segundo para me olhar e abriu aquele seu sorriso de lado, totalmente delicioso, mas não parou o que estava fazendo.
- A sua amiga contou como foi no escritório hoje, Encrenca? - O meu marido perguntou com um tom de divertimento na voz. - Ela gostou da surpresa?
- Gostar? A Tati está furiosa! Eu não entendi bem porque ela está com raiva por ter sido promovida a assistente do Dornelles, mas eu entendi que ele está abusando do direito de ser um safado arrogante! - Eu respondi séria, me aproximando e passei os braços ao redor dele sentindo o seu calor abrasador. - A Tati está espumando de ódio! O seu amiguinho colocou uma mesa colada na dele dentro da diretoria jurídica e a obrigou a aceitar o cargo usando o meu nome com um argumento que ela não podia recusar.
O Dante soltou uma gargalhada alta, sincera e tão contagiante que os meus olhos brilhantes acompanharam o entusiasmo do meu mauricinho.
- Sério?! Ele colocou a mesa dela colada na dele?
- Foi o que ela disse. - Eu confirmei.
- Mas eles não se tornaram amigos? Ela até dorme no quarto de hóspedes dele com uma frequência bem notável. Então qual é o motivo do colapso nervoso da Tatiana, meu amor? - Ele perguntou distraidamente, passando algum tipo de patê nos pães e sujando o dedo no processo.
Antes que ele pudesse limpar, eu segurei a mão dele e coloquei o seu dedo na boca, sugando o patê do seu seu polegar enquanto os meus olhos o devoravam descaradamente. Eu chupei o dedo dele e quando o tirei da boca ainda passei a língua como se lambesse um sorvete. Os olhos do Dante escureceram de desejo, ele engoliu em seco e como se lembrasse do que estava fazendo, ele soltou a faca sobre o balcão, me puxou pela cintura e limpou a garganta antes de falar.
- Você é sexy pra caralho, Valentina! Eu estou ansioso para descobrir tudo o que essa boca pode fazer no meu corpo. - Ele cobrou abaixando a voz para falar de forma sedutora perto do meu pescoço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal