"Valentina"
Depois que o Murilo fechou o computador com um sorriso confiante, eu senti um pouco de alívio. O juiz havia aceitado o pedido dele e suspendeu os efeitos da decisão que devolvia a curatela ao Aroldo até o resultado da perícia solicitada. Até lá, a minha avó continuaria no Residencial Sereno sob a minha responsabilidade, mas as visitas do Aroldo deveriam ser permitidas. Eu não gostava daquilo, mas era melhor do que ele tirar a minha avó de lá.
Nós ainda estávamos ao redor da grande mesa branca de ferro, saboreando o almoço especial que o meu mauricinho havia encomendado em um restaurante português. A minha avó adorava bacalhau e comia o peixe com um prazer nítido nos olhinhos brilhantes. Mas s passos apressados da diretora e o seu ar preocupado eram prenúncio de problemas. Ela se aproximou da mesa visivelmente constrangida.
- Dr. Dornelles, desculpe interromper, mas preciso da sua ajuda. - A diretora falou com a voz firme, tentando manter a postura de quem tem tudo sob controle até quando tudo está desmoronando.
- Claro, senhora. - O Murilo limpou os lábios e colocou o guardanapo sobre a mesa, prestes a se levantar quando um tumulto na porta que dava para o jardim fez com que o Fausto e mais dois dos seguranças corressem para interceptar o problema que a diretora tentava controlar.
Eu me virei a tempo de ver o Aroldo, que marchava em nossa direção, ser interceptado pelo Fausto. E o mau caráter nao estava sozinho, ele estava acompanhado de dois amiguinhos que eu conhecia bem e valiam menos que ele. Eram os companheiros de jogo do sábado à tarde, os que ele reunia em casa assistir futebol e me mandava servir de empregada.
- Eu já disse que eu vou levar a minha mãe! O juiz já devolveu a curatela dela pra mim. Valentina, tira o seu cachorro de cima de mim! - O Aroldo gritou com raiva.
- Fausto, leva esses fi... esses senhores de volta para a recepção. - Eu joguei o guardanapo sobre a mesa e me levantei. Eu mesma ia lidar com aquilo, mas longe da minha avó. - Tati, fica com a Vó Isabel. - Eu pedi antes de me virar. E quando eu dei o primeiro passo, o Dante estava ao meu lado pegando a minha mão, não para me impedir, mas para ir para a guerra comigo. E do outro lado o Murilo me deu um sorriso confiante.
- Vamos, diretora, vamos resolver o problema. - O Murilo chamou a diretora enquanto marchávamos para dentro.
- Acabou pra você, Valentina! - O Aroldo gritou quando eu entrei na recepção.
- Você não vai tirar a minha avó daqui. - Eu respondi com a voz fria e controlada. Ele riu.
- É claro que eu vou! Eu tenho o mandado de curatela e o direito de filho! Vim buscar a minha mãe, vou afastá-la da sua influência daninha. Vou levá-la de volta para o seio da nossa família. E você, é bom ficar boazinha e pagar tudo o que eu pedi, ou então nunca mais verá a sua avó. - O Aroldo ameaçou.
Eu dei mais um passo à frente e parei bem na frente dele, com o dedo em riste.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal