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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 202

"Valentina"

Eu observei a minha avó se aproximar do Aroldo. E vi o Aroldo a olhar como se ela não fosse mais do que um inconveniente. Ele revirou os olhos e bufou, como se ouvi-la fosse uma perda de tempo.

- Mãe, você não sabe o que diz, não entende as coisas. - O Aroldo respondeu e ela deu um sorriso fraco.

- Eu sempre entendi tudo. A única coisa que eu não consigo entender é onde foi que eu errei com você, meu filho. Eu dei a mesma educação para você e para a sua irmã, o mesmo amor, ensinei as mesmas coisas, mas você nunca me respeitou. - A minha avó falou com calma. - Até acredito que você tenha me amado como mãe, mas isso acabou quando eu fiquei velha e você passou a me ver apenas como um estorvo, alguém que envergonhava a sua esposa e a sua filha, alguém que dava despesa demais e era um fardo.

- Não seja ridícula, mãe! Não vem com esse discurso vitimista. Vai me dizer que você ainda é útil pra alguma coisa? Você nem dá conta de arrumar uma casa, a coitada da Marli tinha que dar conta de tudo sozinha. Eu estou fazendo um favor cuidando de você. Agora seja boazinha e vamos embora, não me faça perder tempo. - O Aroldo falou de um jeito tão estúpido com ela, que eu senti como se o meu coração tivesse sido apunhalado.

- Eu desisto! - A minha avó olhou para ele com os olhos marejados e falou com a voz embargada. - Você não me ama, meu filho, mas eu ainda amo você. Só que, mesmo te amando, eu não quero ficar perto de você, porque você me despreza só porque eu fiquei velha. A sua esposa e sua filha me tratam como se velhice fosse uma doença contagiosa. Então pra quê você quer me levar? Eu quero ficar aqui, onde eu tenho comida todos os dias, onde eu tenho amigos, recebo visitas e as pessoas me tratam com respeito. Eu não quero ser trancada de novo naquele quartinho, onde me obrigavam a ficar calada e eu só ouvia o ronco de fome do meu estômago.

Foi o meu estômago que revirou ouvindo aquilo. Sempre que eu saía do estúdio no fim do dia eu levava comida e frutas para a minha avó, mas ela já tinha passado o dia com fome nas mãos da Marli e da cuidadora que eu pagava e que eu descobri que fazia tudo o que a Marli mandava e não cuidava direito da minha avó. A minha avó nunca se queixou e quando eu perguntava porque ela estava emagrecendo tanto ela dizia que andava sem apetite, tudo porque eles ameaçavam a mandar para um asilo se ela se queixasse, era exatamente essa a palavra que eles usavam o tempo inteiro: asilo.

A Vó Isabel escondeu por muito tempo tudo o que passou, só para que eu não me metesse em confusão e para que eu não ficasse sozinha. Mas quando chegamos aqui no residencial, ela não teve como continuar escondendo e teve que contar tudo para os médicos e foi assim que eu fui descobrindo o quanto ela sofreu para ficar ao meu lado.

Mas agora, eu queria poder tirar dela a dor que eu via nos seus olhos. A dor pela ganância do filho, pelos passos mal dados dele e sobretudo pelo desamor. Eu pensei no filho que eu já podia estar esperando e como seria doloroso se ele um dia me desprezasse daquele jeito. Meu coração se retorceu um pouco mais de dor pela minha avó.

- Mãe, não seja estúpida. Não vai ser como antes. A sua preciosa Valentina agora tem de onde tirar dinheiro para me ajudar a pagar as suas despesas. - O Aroldo falou como se aquilo resolvesse tudo.

- Você não quer ficar perto da sua mãe, não é?! Você quer o dinheiro que pode ganhar comigo. - A minha avó falou com tristeza e deixou as lágrimas romperem a barreira. - Mas isso não vai acontecer. Eu não vou com você.

- Velha chata! - O Aroldo resmungou. - Escuta aqui, mãe, você não tem escolha. Eu sou o responsável legal por você. Anda, vamos. Depois eu busco as suas coisas. - O Aroldo tentou segurar o braço dela, mas o Fausto foi mais rápido e o afastou. - SAI DA MINHA FRENTE, SEU GORILA! NÃO TOCA EM MIM!

Capítulo 202: A lição da Vó Isabel 1

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