"Valentina"
Eu bati a porta da suíte com tanta força que até tive medo de que ela quebrasse. Eu girei a chave na fechadura, nos trancando dentro e me virei para o Dante com os olhos faiscando com uma mistura de ódio e pânico. Eu estava tremendo, a adrenalina correndo tão rápido pelas minhas veias que a minha respiração estava ofegante.
- Você ficou completamente maluco, mauricinho?! - Eu gritei, avançando na direção dele como um furacão furioso. - O que passou por essa sua cabeça oca? Você quer morrer hoje? Quer ter um enfarte na porra desse corredor e fazer a alegria desses carniceiros?
O Dante nem se mexeu. Ele continuou parado perto da porta, fechou os olhos e respirou fundo. Então ele começou a desabotoar os primeiros botões da camisa social com uma lentidão irritante, os olhos brilhando com um divertimento sombrio que quase me fez querer esganá-lo.
- Ele tocou em você, Encrenca. Ele entrou no meu quarto e tocou na minha esposa. - Ele respondeu, a voz caindo para um tom possessivo que eu não entendia. - Nenhum cretino entra no meu quarto e encosta a mão na minha esposa. Eu quebraria o pescoço dele se fosse necessário. - Ele terminou de abrir a camisa e eu tive o vislumbre do abdômen definido e dos músculos rígidos no peitoral. Aquilo era uma maldita exibição. Eu balancei a cabeça para não perder o foco.
- Esposa o cacete! Nós somos um contrato, seu imbecil engravatado! - Eu avancei e apoiei as duas mãos espalmadas no peito dele e o empurrei com força em direção a cama.
O Dante caiu sentado, apoiando as duas mãos no mais atrás no colchão, mas não tirou os olhos dos meus. Eu mantive uma mão espalmada sobre o coração dele e o outra no ombro, sentindo o coração batendo como um tambor desgovernado enquanto meus olhos percorriam disfarçadamente seus músculos a mostra e eu pensava que poderia lambê-lo como um sorvete de casquinha. Não, Valentina, não vá por aí. Eu me reprimi mentalmente.
- O médico proibiu esforços físicos! Proibiu fortes emoções! Você acabou de dar um soco que poderia ter rompido o tumor na sua cabeça! Respira, porra! Puxa o ar devagar! Parece que está doidinho para beijar a morte.
- Eu estou bem, Encrenca. - Ele murmurou, mas a respiração dele estava visivelmente ofegante.
- Não está bem nada! Fecha os olhos e faz o exercício de respiração que eu já te vi fazer ou eu juro que te enfio debaixo do chuveiro gelado de roupa e tudo!
- Sem roupa é melhor, Encrenca. Talvez eu prefira o banho. - Ele estava rindo da minha preocupação.
- Não sabia que você era tão engraçadinho. Começa a respirar, porra! - Eu falei rispidamente e ele riu, puxando o ar devagar pelo nariz e soltando pela boca. - Eu sei me defender, Dante. Eu estava a uma joelhada de deixar aquele inútil no chão e sem o privilégio de ter filhos.

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