"Dante"
O silêncio que se seguiu ao meu desafio foi quase palpável. A Valentina continuava com o joelho sobre o colchão, com as mãos ainda tocando a minha pele, a respiração acelerada que me dizia que ela estava tão afetada quanto eu com aquele contato. A minha mão continuava fechada ao redor do pulso acelerado dela. A proximidade daquela boca rosada a um milímetro da minha era uma tortura física que eu definitivamente não havia previsto quando fiz a proposta a essa mulher.
Ela engoliu em seco, mas eu sabia que ela não aceitaria a derrota tão facilmente. Ela semicerrou os olhos castanhos, limpando a garganta para recuperar o fôlego.
- O contrato… - Ela balbuciou, os olhos fixos na minha boca. - Zero contato físico, espertinho. Esqueceu?
- O contrato diz apenas que o sexo pode me matar se eu tiver um orgasmo, Valentina, não diz que eu não posso te dar um orgasmo. - Eu rebati com um sorrisinho sacana e perigoso, erguendo a mão livre para roçar os dedos nas ondas do cabelo dela, puxando um cacho com delicadeza. - Eu sou um homem moribundo, lembra? Você não deveria negar os meus últimos desejos. Você disse que me mostraria as lingeries que comprou hoje. E me deixou curioso com essa sua flexibilidade. Puxa, eu vou morrer, o que te custa me dar um momento de alegria?
- Minha nossa! Que chantagista! Você não tem vergonha de estar barganhando com a sua historinha triste não? - Ela reclamou.
- Não! Eu sou um ótimo negociante. Vai, Encrenca, eu te defendi daquele inútil, coloquei a minha vida em risco por você, eu mereço uma gratificação.
- Não acredito no que eu acabei de ouvir. - Ela começou a rir e eu abri um enorme sorriso desavergonhado.
- Valentina, eu não posso fazer muito, mas eu pelo menos poderia me alegrar vendo você se exibir para mim. A menos que você seja do tipo tímida, que tem vergonha do próprio corpo...
A aproximação física se transformou em uma tortura erótica insuportável. Os seios dela quase tocavam o meu peito a cada inspiração. Ela estava dividida, eu podia ver.
- Você fala demais para um homem que está com o pé na cova, Montenegro. - Ela sibilou, a voz trêmula mascarada pelo sarcasmo que eu já estava percebendo que era um escudo. - Já que você está tão valente e se acha o dono das minhas curvas por causa daquele papel assinado, vamos fazer um acordo. Você me defendeu hoje e ninguém nunca fez isso por mim. Só por isso, eu vou te dar o que você quer, mas apenas uma coisa. Preste atenção e escolha com cuidado. Desfile de lingeries ou show de flexibilidade. O que você quer ver?
Eu sorri de lado, um sorriso lento, arrogante e puramente focado.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal