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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 33

"Dante"

Nós nos sentamos na mesinha de canto da suíte. Jantamos em um silêncio carregado, mas quando o sorvete foi servido, a tortura atingiu o ápice. Valentina pegava os morangos mergulhados na calda vermelha e os levava à boca, fechando os olhos de prazer, com uma naturalidade que me parecia a coisa mais erótica do mundo. Ela brincava com o duplo sentido de cada frase que dizia e eu me defendia usando termos técnicos e uma polidez gelada, mas eu sentia que o meu cérebro poderia explodir a cada vez que ela limpava uma gota de calda do lábio inferior com a ponta da língua. Meu coração batia no limite do risco cardiovascular. Eu ia morrer e a causa da morte seria tesão reprimido. Eu precisava levar a conversa para um campo menos perigoso.

- Como você sempre tem uma resposta afiada para a minha família? -Eu perguntei de repente. - Quer dizer, é como se você tivesse um repertório.

Ela deu um riso curto e sem humor.

- Mas eu tenho. - Ela respondeu e me encarou por um momento, como se pensasse se deveria falar ou não. - Eu tinha doze anos quando sofremos o acidente de carro. Meus pais morreram. No dia seguinte eu estava atirada aos porcos. Fui morar com o irmão da minha mãe, a esposa e a filha dele. Quer dizer, eles se mudaram para a minha casa.

- Não entendi. Eles foram morar na sua casa? Ele te expulsou de casa... eu pensei que a casa era dele. - Eu fiquei interessado na história.

- A casa é dele. É que eu achava que era dos meus pais, porque nós sempre moramos lá. Mas quando eles morreram, meu tio ficou com a minha guarda e disse que a casa era dele, que ele só alugava para os meus pais.

- E a Vó Isabel? Ela já estava doente naquela época?

- Não. A Vó Isabel morava com uma irmã dela em outra cidade. Quando ela soube o que tinha acontecido ela veio, queria ficar comigo, mas o advogado apareceu e falou que os meus pais tinham nomeado o meu tio como meu tutor. O advogado confirmou que a casa era dele e que meus pais não tinham deixado nada para mim, nem mesmo um seguro.

- Eles não estavam esperando a morte. Geralmente as pessoas não planejam para imprevistos. - Eu dei de ombros.

- É... mas eu sempre me perguntei como eles não planejaram nem um seguro, sabe?! Meus pais eram muito organizados. Os dois trabalhavam. A minha mãe era professora e o meu pai era bancário. O meu pai não tinha nem seguro do carro. E eu me lembro que meus pais se sentavam na mesa da cozinha para planejar as despesas do mês. Eles me davam mesada e foi o meu pai que me ensinou que eu deveria sempre guardar uma parte para as emergências. - Ela falava com os olhos distantes, como se estivessem voltados para o passado. - Depois que eles morreram, o meu tio recebia a pensão para me sustentar e dizia que o dinheiro não dava para nada. Eu não recebi mais mesada, não tinha roupas novas, nada que a mulher dele considerasse supérfluo, ou seja, eu vivia com roupas de bazar e o que a minha prima não queria mais. Quando eu fiz dezoito a pensão acabou e eu fui trabalhar, mas não conseguia criar o meu fundo de emergência porque entre ajudar em casa e pagar as minhas coisas mais básicas não sobrava nada.

Eu prestava atenção a cada palavra que ela dizia, mas quanto mais ela contava, mais estranho ficava.

- E quando a Vó Isabel foi morar com vocês? - Eu quis saber.

Capítulo 33: Um campo menos perigoso 1

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