"Valentina"
Subi os degraus correndo, quase tropeçando nos meus próprios tênis, equilibrando a bandeja com as bebidas e os copos. Minhas mãos tremiam tanto que os copos tilintavam sobre a bandeja de forma estridente. Eu estava com o coração na boca e o sangue fervendo nas veias. Aquele bando de vagabundos preguiçosos que vivia às custas do Dante estava armando contra ele.
Eu empurrei a porta da suíte master com o pé e a tranquei logo que entrei. O Dante estava sentado na cadeira perto da janela, ainda visivelmente exausto e pálido daquela madrugada infernal no banheiro, mas os olhos dele se focaram em mim no mesmo milésimo de segundo. O Murilo, que estava na outra cadeira de olho na tela do notebook, ergueu os olhos na minha direção.
- Valentina? O que houve? - O Dante perguntou, a voz saindo naquele tom grave, rouco e arrastado que sempre me dava arrepios.
Eu coloquei a bandeja sobre a mesa lateral antes de começar a falar e servi o suco para os dois.
- Aqui, você precisa se hidratar. - Eu entreguei o copo para o Dante. - Os abutres vão atacar, Dante. Eu acabei de flagrar o Otto e a Aurélia cochichando lá embaixo. Os dois estavam assim, muito pertinho, falando muito baixinho. Eu não consegui ouvir a conversa inteira, esbarrei num daqueles enfeites e fui descoberta, mas ouvi o suficiente para saber que nós estamos em apuros.
O Dante semicerrou os olhos e respirou fundo.
- Claro que eu ter ficado em casa hoje despertou a atenção deles. O que exatamente você ouviu, Encrenca? - Ele quis saber, o seu rosto demonstrando a preocupação.
- O Otto estava dizendo que fez as movimentações ontem a noite e que a reunião do Conselho deve acontecer o mais rápido possível, enquanto você ainda não consegue ficar de pé. Essas foram as palavras dele. Dante, ele disse que vai fazer o Conselho te obrigar a ceder a presidência por causa da sua condição médica.
O silêncio que se instalou na suíte foi absoluto e sufocante. Eu me virei para o Murilo, que havia perdido completamente o seu habitual sorriso.
- Murilo, tem uma coisa. Eu não sei a que eles se referiram, mas eles disseram que eu os ajudei sem querer. Como eu posso ter ajudado aqueles abutres? O que eu fiz de errado?
Eu esperava que ele tivesse uma saída. Ele me encarou por um longo segundo e depois olhou para o Dante, então ele começou a digitar furiosamente no notebook.
- Calma, Valentina, eles devem ter se referido ao fato de eu não ter ido para o escritório hoje. Eu não falto ao trabalho e não fico trancado no quarto. Mas não se preocupe com isso, vamos focar no que você descobriu.
- Merda! - O Murilo falou e deu um tapa na mesa.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal