"Dante"
Eu acordei quando os primeiros raios de sol começaram a cortar as frestas das cortinas pesadas da suíte. Depois de mais uma noite difícil, meu corpo pesava com a exaustão, mas esta noite a minha Encrenca estava preparada. Assim que eu acordei de madrugada a Valentina acendeu o abajur na mesinha de cabeceira e passou um bom tempo de olho em mim.
Eu olhei para as minhas mãos, habitualmente firmes e precisas, que agora mantinham um leve tremor, e o meu estômago ainda protestava com uma náusea sutil, mas a minha mente estava de volta, agora eu sabia o que esperar, já estava começando a perceber quando os sintomas chegavam e poderia lidar com isso com a ajuda da Valentina e felizmente para mim ela estava disposta a ajudar.
Eu precisava me manter focado, o prazo de cinco dias para a reunião extraordinária do Conselho de Acionistas estava correndo e não me dava o privilégio de me recolher a uma cama.
Eu afastei os lençóis em silêncio, a Valentina já tinha se levantado e provavelmente estava no banho. Eu me sentei na poltrona para esperar que ela terminasse de se arrumar. Foi quando a porta do closet se abriu e o meu semblante desabou com a mais pura perplexidade.
A Valentina deu dois passos para dentro do quarto. A dançarina de calça legging justa, shorts, blusas decotadas e tênis de caminhada havia desaparecido por completo. No lugar dela, erguia-se uma executiva imponente, vestindo um dos terno de três peças azul-escuro sob medida. O colete acinturado moldava com perfeição o contorno dos seus seios fartos e a curva marcante da sua cintura; por baixo dele uma camisa branca de algodão de gola inglesa de onde pendia uma gravata da cor do terno; o blazer a deixava imponente, com os ombros erguidos; e a calça de alfaiataria alongava as suas pernas que pareciam infinitas sobre um salto alto preto que a deixava ainda mais monumental. Seu cabelo ondulado e volumoso estava presos em um coque alto e severo, e a boca bem desenhada ostentava um batom vermelho agressivo. No dedo anelar, a safira da minha mãe reluzia sob a luz matinal.
Senti o meu sangue ferver nas veias com uma violência avassaladora, se a Valentina de roupas irreverentes e ousadas era irresistível, essa Valentina de terno e com a atitude de uma empresária poderosa era um afrodisíaco poderoso e a ereção dolorosa que castigou o tecido do meu moletom era o indício indiscutível de que a sua versão lapidada era a visão mais erótica e perigosa da minha vida. Era como a minha fantasia mais íntima se realizando.
- O que me diz, Montenegro? - Ela provocou, parando na minha frente e colocando as mãos nas curvas da cintura, arqueando uma sobrancelha com o deboche atrevido de quem sabia exatamente o estrago que estava causando. - Eu atendo aos padrões de elegância das Indústrias Montenegro ou o bilionário excêntrico está pensando que fez um mau negócio?
Eu esfreguei os olhos, forçando os meus pulmões a puxarem o oxigênio de forma pausada, tentando fazer o meu exercício de respiração, tentando ignorar o tom divertido dela e colocando uma distância fria entre nós para tentar erguer uma barreira de defesa contra o fascínio que ela exercia sobre mim.
- O figurino está metodicamente impecável, Valentina. Você é um bom negócio. - Eu pronunciei lentamente, a voz saindo naquele tom grave e frio. - Você está esteticamente admirável, ostentando a imponência de uma legítima primeira-dama Montenegro. No entanto, mantenha a sua postura tão polida quanto o tecido que veste quando cruzarmos o saguão da holding.
A Valentina soltou uma risada deliciosa que me torturou ainda mais e, num gesto ousado, ela caminhou em minha direção e se sentou no meu colo, erguendo as sobrancelhas assim que o fez. Ela tinha sentido o meu estado... animado.

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